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Mercados europeus recebem reforço do BCE

19/03/2020 08h32

Paris, 19 Mar 2020 (AFP) - Após o Fed americano, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu adotar fortes medidas para apoiar uma economia europeia em dificuldades pela pandemia de coronavírus, trazendo certo alívio aos mercados do Velho Continente.

Embora a iniciativa não tenha tido um efeito perceptível nos mercados asiáticos, com as bolsas de valores de Tóquio, Xangai e Hong Kong fechando em baixa, as praças europeias reagiram bem ao anúncio.

Após registrar fortes perdas no dia anterior, a bolsa de Paris subiu 2,11% em sua abertura, assim como Londres (+0,40%) e Frankfurt (+0,74%).

Nos primeiros minutos de operação, a bolsa de Milão subia 4,53% e a de Madri 2,94%.

O Banco Central Europeu sacou sua artilharia pesada na quarta-feira com um plano de "emergência" de 750 bilhões de euros (cerca de US$ 800 bilhões) em compras de dívidas públicas e privadas para tentar conter as consequências econômicas da pandemia de coronavírus.

Este plano é um complemento a um primeiro pacote de 120 bilhões de euros que havia sido desbloqueado para enfrentar a epidemia.

"Tempos extraordinários exigem ações extraordinárias", tuitou a presidente do BCE, Christine Lagarde.

Como outros líderes da UE, o presidente francês Emmanuel Macron aplaudiu as medidas e instou os Estados do bloco a realizar "intervenções orçamentárias".

Antes da abertura das Bolsas de valores europeias, os anúncios do BCE tiveram um efeito positivo sobre os preços do petróleo que, tendo atingido seus níveis mais baixos em 18 anos ontem, se recuperavam esta manhã.

O euro continua em queda em relação ao dólar na manhã desta quinta-feira, enquanto as taxas de juros na zona do euro caíram um pouco depois de várias sessões tensas.

"A forte distensão das taxas de juros na zona do euro esta manhã, após o anúncio da nova bazuca do BCE, deve ajudar os mercados de ações, mas o entusiasmo continua a ser realmente moderado", considerou, em nota, Tangi Le Liboux, da agência Aurel BGC.

"As ações dos bancos centrais, mesmo que acalmem os mercados de taxas soberanas, são a solução para interromper a queda nas ações?", questionou.

Estados e bancos centrais de todo o mundo rivalizam em planos de estímulo e injeções de liquidez nos últimos dias, a fim de combater os efeitos devastadores que a pandemia de coronavírus pode ter na economia e tranquilizar os mercados, que na Europa afundaram mais de 30% até agora este ano.

Nos Estados Unidos, as negociações continuam sobre um plano de estímulo que pode chegar a US$ 1,3 trilhão.

O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, por sua vez, anunciou um novo plano de 27 bilhões de dólares canadenses (US$ 18,5 bilhões) em ajuda direta e 55 bilhões de dólares canadenses em adiamento de impostos.

O Banco Central da Austrália reduziu sua taxa básica nesta quinta-feira, em um quarto de ponto, para 0,25%, seu recorde. O Banco Central brasileiro passou a sua de 4,25% para 3,75%, outro mínimo.

A pandemia de Covid-19 já matou mais de 9.000 pessoas e causou mais de 210.000 infecções confirmadas em 150 países e territórios.

Na Europa, novo epicentro da pandemia, a Itália é o país mais atingido, com quase 3.000 mortes.

Na quarta-feira, o Reino Unido ordenou o fechamento de escolas e Portugal declarou estado de emergência.

Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel considerou o combate ao novo coronavírus "o maior desafio" que o país enfrenta desde 1945.

"Os índices de ambos os lados do Atlântico mostram declínios que ainda estão longe dos mínimos observados durante a crise de 2008. No entanto, os líderes mundiais dizem que essa crise é a pior desde a Segunda Guerra Mundial", acrescentou Liboux.

No entanto, segundo ele, "as medidas das autoridades não impedirão uma recessão violenta, cuja extensão ainda não podemos adivinhar".

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