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Pobreza pode dobrar na Cisjordânia ocupada, alerta Banco Mundial

01/06/2020 09h39

Ramallah, Territórios palestinos, 1 Jun 2020 (AFP) - O número de famílias pobres pode dobrar este ano na Cisjordânia pela pandemia de COVID-19, que ameaça as finanças públicas e o emprego nos Territórios Palestinos, alertou o Banco Mundial (BM) nesta segunda-feira (1o).

Até agora, os Territórios Palestinos não foram muito afetados pela pandemia, registrando 447 infecções e três mortes entre uma população de cinco milhões de habitantes, entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

Ainda assim, como acontece em várias partes do mundo, a crise também asfixia a atividade econômica local, em um momento em que as autoridades tentam revivê-la.

O BM aponta em seu relatório publicado nesta segunda que, "antes da pandemia de COVID-19, um quarto dos palestinos vivia abaixo da linha da pobreza; 53%, em Gaza; e 14%, na Cisjordânia. De acordo com as estimativas, na primeira, aumentaria para 64 e, na segunda, para 30%".

Na Cisjordânia, o impacto seria maior, porque muitos de seus habitantes trabalham em Israel, onde os salários são mais altos, mas que estão sendo fortemente atingidos pelo desemprego.

Depois de semanas de proibição de acesso de milhares de trabalhadores da Cisjordânia a Israel, a medida foi levantada parcialmente no início de maio para ajudar a recuperar a economia local de forma gradual.

Após um acordo entre Israel e a Autoridade Palestina, 40.000 de 100.000 trabalhadores retornaram às atividades e, desde domingo, já seriam cerca de 60.000.

"Mas ainda não é possível saber quanto tempo levará para a economia se recuperar das medidas de confinamento", destaca o Banco Mundial, que calcula uma contração do PIB nos Territórios entre 7,6% e 11,2% este ano.

Isso também pesará no orçamento palestino, com um déficit esperado de US$ 1,5 bilhão para este ano, quase o dobro do de 2019.

A situação é "cada vez mais difícil" para a Autoridade Palestina, que diminuirá sua renda e aumentará os gastos com saúde, alerta o BM.

Nesse contexto, para aumentar o emprego no setor de tecnologia, a instituição defende, em particular, o relançamento da subsidiária de telefonia móvel nos Territórios, enquanto o 3G predomina na Cisjordânia, e o 2G, em Gaza.

- Anexação? -No domingo, a ONU pediu em nota "medidas mais ousadas e diferentes para evitar o colapso econômico".

A organização saudou o empréstimo israelense de 800 milhões de shekels (cerca de 210 milhões de euros) à Autoridade Palestina, que "será uma linha essencial de resgate de impostos" fornecida em parcelas a partir de junho para compensar a perda de receita pela crise da saúde.

A ONU alertou, contudo, sobre as consequências desastrosas do plano israelense de anexar partes da Cisjordânia, um território palestino que o Estado hebreu ocupa desde 1967.

A partir de 1º de julho, o governo israelense deve decidir executar o plano dos Estados Unidos para o Oriente Médio. O projeto inclui a anexação por parte de Israel do Vale do Jordão e as colônias judaicas na Cisjordânia, apoiadas com alegria por grande parte da classe política israelense, mas rejeitado pelos palestinos.

Além de "violar o direito internacional", a anexação poderia "complicar seriamente a assistência ao desenvolvimento que a ONU e outras organizações fornecem aos palestinos".

"Se a tendência persistir, as realizações palestinas dos últimos 25 anos vão desaparecer (...) a segurança vai piorar, levando inevitavelmente a políticas mais radicais de ambos os lados", insiste a ONU.

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