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Opep+ prorroga até julho reduções na produção de petróleo

07/06/2020 14h46

Viena, 7 Jun 2020 (AFP) - Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep +) decidiram no sábado (6) manter os atuais cortes na produção de petróleo no mês de julho.

"Todos os países participantes (...) acordaram prorrogar a primeira fase de ajustes da produção dos meses de maio e junho durante mais um mês", informou o comunicado conjunto da Opep+.

Após um acordo alcançado em 12 de abril, os países do cartel e seus aliados decidiram retirar do mercado, de 1º de maio até final de junho, 9,7 milhões de barris por dia (mbd), ou seja, cerca de 10% da oferta mundial antes da crise. O objetivo é enfrentar uma queda sem precedentes na demanda agravada pela pandemia da COVID-19.

A arma habitual dos 13 membros do cartel - fechar as torneiras para sustentar os preços - foi usada este ano com um vigor incomum.

Inicialmente, a medida seria suavizada a partir de julho, e a redução passaria para 7,7 mbd até dezembro e, depois, para 5,8 mbd de janeiro de 2021 a abril de 2022.

Interrogado pela AFP, o ministro argelino da Energia, Mohamed Arkab, mencionou a cifra de 9,6 mbd, ou seja, 100.000 bd a menos do que maio e junho, uma informação que não consta no comunicado da Opep.

A diferença se deve ao México, já reticente em reduções anteriores. A secretária mexicana de Energia, Rocío Nahle, disse que seu país se nega a estender esse esforços por mais um mês. A redução de sua produção para maio e junho é de 100.000 barris diários.

"Há outros países que estenderam a redução até julho. Nòs dissemos que não, qque mantemos o acordo firmado em abril. Não tem problema", disse Nahle à imprensa, durante uma visita a um complexo petroquímico no estado mexicano de Veracruz, no leste do país.

Alguns analistas e observadores apostavam em uma extensão maior, até depois do verão, ou mesmo até o final do ano.

Em andamento em muitas partes do mundo, o desconfinamento não trouxe o consumo de volta a seu nível pré-crise, que já estava abaixo da oferta na época.

- Iraque e Nigéria, na alça de mira -Na sexta-feira, o México já havia descartado qualquer novo corte em sua produção.

"Não conseguimos ajustar ainda mais nossa produção", disse o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e sem nomeá-los, criticou os países que "não cumpriram totalmente" seus compromissos.

Rússia e Arábia Saudita, os dois pesos-pesados da aliança OPEP+, desencadearam uma curta, porém intensa guerra de preços após o fracasso das negociações anteriores no começo de março.

Segundo cálculos do provedor de dados Kpler, o cartel ampliado reduziu sua produção em cerca de 8,6 mbd em maio, ou seja, 11% a menos que o volume previsto.

Iraque e Nigéria estão na alça de mira, mas os nigerianos abriram a porta no sábado a uma compensação em julho, agosto e setembro do excedente produzido desde o começo de maio.

Apesar destas dúvidas, a política da Opep demonstrou sua eficácia, já que os preços subiram no começo de junho para cerca de 40 dólares o barril de petróleo de referência americano, o West Texas Intermediate (WTI), e seu equivalente europeu, o Brent do Mar do Norte.

"Cumprimento a Opep+ por alcançar um importante acordo que chega em um momento-chave, à medida que a demanda de petróleo continua se recuperando, e as economias reabrem em todo mundo", reagiu o secretário de Energia americano, Dan Brouillette.

Os preços tinham alcançado seu menor nível histórico por volta de 20 de abril, cruzando o limite dos US$ 15 para o Brent e passando, inclusive, para o negativo no caso do WTI.

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