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Com nova oferta, Argentina prorroga prazo para swap da dívida

12/06/2020 19h58

Buenos Aires, 12 Jun 2020 (AFP) - Com uma oferta final "melhorada" a ser apresentada na próxima semana, a Argentina estendeu o prazo para seus credores aderirem a um swap da dívida de cerca de US$ 66 bilhões até 19 de junho.

O país está analisando sugestões "sobre as diferentes maneiras de melhorar as cobranças (...) e maximizar o apoio dos investidores, preservando seus objetivos de sustentabilidade da dívida", afirmou um comunicado do governo divulgado nesta sexta-feira, quando expirou o prazo para os credores aceitarem uma proposta oficial de reestruturação da dívida emitida de acordo com a lei estrangeira.

"A Argentina e seus assessores pretendem aproveitar essa extensão para continuar as discussões e permitir que os investidores continuem contribuindo para uma bem-sucedida reestruturação da dívida", acrescentou o texto.

O ministro da Economia, Martín Guzmán, indicou nesta sexta-feira que a nova oferta será anunciada "a partir de terça-feira".

Segundo fontes oficiais consultadas pela AFP, Guzmán apresentará "uma proposta final melhorada" já acordada com os credores e com o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A Bolsa argentina reagiu com alta. O índice Merval da Bolsa de Comércio de Buenos Aires subiu 0,83%, a 43.417,15 pontos, mas terminou a semana com uma perda de 3,79%.

- Acordo às pressas -A Argentina, em recessão desde 2018 e cuja economia sofrerá ainda mais devido à pandemia do novo coronavírus, está correndo contra o tempo para chegar a um acordo, evitando, assim, litígios legais com seus credores que manteriam o país fora dos mercados internacionais de crédito.

Essa é a terceira vez que o período de troca é prorrogado desde 8 de maio. A grande maioria dos credores rejeitou a primeira oferta que incluía um período de carência de três anos, uma redução de 62% nos juros e um corte de 5,4% no principal.

Segundo uma fonte oficial, a nova proposta inclui um valor superior a US$ 50 (para cada US$ 100 do valor nominal) mais um cupom vinculado à evolução das exportações agrícolas. A primeira oferta ficou abaixo de US$ 40 para cada 100.

O país sul-americano, um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, entrou em default em abril passado, pela nona vez em sua história, quando não pagou cerca de 500 milhões de dólares em juros sobre três dos títulos sujeitos a swap, mas imediatamente anunciou que ainda estava negociando, para que a artilharia padrão não fosse disparada.

"Está claro que a Argentina precisa encontrar um acordo com os credores, está claro que os credores não aceitaram a (primeira) oferta" feita em maio, afirmou o presidente Alberto Fernández nesta semana. "Está claro que a Argentina vai melhorar sua oferta", garantiu, sem dar mais detalhes.

A dívida pública da Argentina totaliza cerca de 324 bilhões de dólares, o equivalente a quase 90% de seu Produto Interno Bruto.

- Evitar que prazos fiquem longos -Se a Argentina chegar a um acordo com os credores, o default seria superado.

Nesta renegociação da dívida, existem títulos de 2005 e 2010, como resultado de uma reestruturação anterior durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner (2003-2015), e também novos títulos emitidos a partir de 2016, durante o mandato de Mauricio Macri (2015- 2019).

Mas se os tempos ficarem muito longos, outros títulos serão padronizados.

Há vencimentos esperados para o final de junho, que, contando o período de carência, podem ser estendidos até o final de julho.

Nesse caso, os detentores de títulos poderiam se cansar e recorrer à justiça americana para reivindicar seu pagamento.

nn-ml/mr/cc