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Justiça dos EUA analisa ação da Casa Branca para bloquear livro de Bolton

19/06/2020 18h59

Washington, 19 Jun 2020 (AFP) - Um juiz federal nos Estados Unidos avaliou a mais recente tentativa de Donald Trump para impedir o lançamento do livro do ex-assessor presidencial John Bolton, mas como grande parte do seu conteúdo já foi divulgado, as esperanças da Casa Branca parecem baixas.

"Realmente não vejo o que posso fazer com todos os livros que já foram distribuídos por todo o país", disse o juiz Royce Lamberth em audiência no tribunal federal de Washington, DC, referindo-se a "The Room Where Happened" (ainda sem tradução para o português), já dissecado pela mídia.

O Departamento de Justiça solicitou a audiência de emergência para interromper o lançamento da publicação, marcado para terça-feira.

Mas o livro do ex-assessor de segurança de Trump já foi enviado pelos Estados Unidos e outros países, enquanto o próprio Bolton embarcou em uma série de entrevistas para promover seu trabalho.

"O cavalo, como costumamos dizer no Texas, parece estar fora do estábulo", disse Lamberth.

O juiz não especificou quando decidir sobre o pedido da Casa Branca.

O governo argumenta que o livro de Bolton "está repleto de informações confidenciais que afetam a segurança nacional".

A defesa alega vez em favor da liberdade de expressão e assinalar que o livro foi submetido a uma avaliação exaustiva da Casa Branca, que apenas não gosta de seu conteúdo.

O procurador-geral adjunto David Morrell disse que Bolton concordou em não publicar seu livro com informações classificadas "sem autorização por escrito".

"Em troca de dinheiro, ele quebrou essa promessa", acrescentou. "Não deve ser recompensado."

A publicação reúne as impressões que Bolton teve de Trump ao longo dos 17 meses em que trabalhou como assessor de Segurança Nacional, até ser demitido, em setembro passado.

Trump afirmou que se trata de uma obra "de pura ficção".

- Trump pediu ajuda à China -Segundo Bolton, republicano ainda mais direitista do que Trump, o presidente "não está apto" a ocupar o cargo.

O ex-assessor diz que Trump "suplicou" ao presidente chinês, Xi Jinping, durante negociações comerciais bilaterais, que o ajudasse a ser reeleito em novembro aumentando as compras de produtos agrícolas americanos.

Bolton afirma que Trump, um magnata do ramo imobiliário que não havia ocupado nenhum cargo eletivo antes de chegar à Casa Branca, é tão ignorante que achou que a Finlândia fizesse parte da Rússia

O ex-assessor também apoia as denúncias de que o presidente americano pressionou a Ucrânia a investigar seu rival democrata, Joe Biden, acusação que, no ano passado, esteve no centro do julgamento político de Trump, do qual ele se saiu vitorioso.

Alega que o presidente cometeu outras "transgressões semelhantes às da Ucrânia" em sua condução da política externa em benefício pessoal.

As afirmações do ex-funcionário, que tinha um nível de acesso privilegiado à Casa Branca, somam um novo problema para Trump, que está sob fogo cruzado por sua condução da pandemia do novo coronavírus e da tensão racial.

Mas Bolton é rejeitado tanto pelos republicanos, que o veem como um sabotador, quanto pelos democratas, que o culpam por não ter testemunhado no Congresso na época do julgamento político de Trump.

As reações dos apoiadores de Trump e do próprio presidente foram agressivas.

Trump o chamou de "cachorro doente" e "tolo entediante".

"Disse tudo de bom sobre mim, até o dia em que o demiti", tuitou o presidente americano esta semana.

Já o secretário de Estado, Mike Pompeo, classificou Bolton como "traidor". "Está divulgando uma série de mentiras, meias verdades completamente falsas e mentiras absolutas", afirmou, em comunicado.

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