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Espanha, Irlanda e Luxemburgo vão disputar presidência do Eurogrupo

25/06/2020 12h42

Bruxelas, 25 Jun 2020 (AFP) - Espanha, Irlanda e Luxemburgo oficializaram nesta quinta-feira seus respectivos candidatos para liderar o grupo de ministros das Finanças do euro, com a espanhola Nadia Calviño como favorita.

"Enviei minha candidatura para presidir o Eurogrupo com a vontade de continuar trabalhando para uma zona do euro forte e próspera", tuitou a vice-presidente do governo espanhol, de 51 anos.

Pouco antes do término do prazo, os ministros das Finanças do Luxemburgo, o liberal Pierre Gramegna, e da Irlanda, Paschal Donohoe (conservador), também anunciaram suas candidaturas à sucessão do português Mário Centeno.

A eleição ocorrerá no dia 9 de julho, no âmbito de uma reunião do Eurogrupo, e o primeiro a receber o apoio de 10 dos 19 ministros será seu novo presidente e o encarregado de dar novo impulso a esse órgão que perdeu peso sob a mandato de Centeno.

"Calviño é a favorita, mas nunca terá uma grande maioria", disse à AFP um diplomata europeu, assegurando que a espanhola "tem muitas qualidades, mas ser simpática não é uma delas". "Terá que lutar por esses 10 votos", apontou.

Segundo o jornal Irish Times, Donohoe, que poderia continuar liderando as Finanças no governo de coalizão atualmente em negociação, parece "um candidato de compromisso", em um contexto de divisão entre os países do Norte e do Sul.

As nações do Norte, lideradas pela Holanda, mantêm uma disputa com os países do Sul, liderados por Espanha e Itália, sobre o bilionário plano de recuperação da Comissão Europeia para superar a profunda recessão de 2020.

"Os desafios importantes de hoje exigem consenso e comprometimento entre todos os membros da zona do euro - pequenos ou grandes, de norte a sul e leste a oeste", tuitou Gramegna, defendendo sua candidatura.

- Primeira mulher -Eleito por dois anos e meio, o chefe do Eurogrupo preside as reuniões mensais dos 19 ministros das Finanças da zona do euro, órgão cujo principal objetivo é a coordenação das políticas econômicas nacionais.

Se Calviño, uma ex-funcionária europeia de alto escalão com perfil tecnocrático e reputação moderada no governo de coalizão de esquerda, chegar ao cargo, ela se tornaria a primeira mulher e a primeira espanhola a ocupá-lo.

Em julho de 2015, a Espanha tentou assumir a presidência do Eurogrupo com a candidatura do conservador Luis de Guindos que, apesar de contar com o apoio da Alemanha, perdeu para o social-democrata holandês Jeroen Dijsselbloem.

Os eurodeputados dos partidos da oposição na Espanha, o PP (direita) e Ciudadanos (liberal), manifestaram seu apoio à ministra espanhola, pois, para Esteban González Pons (PP), é a "melhor garantia" para a Espanha "acompanhar as diretrizes moderadas da UE".

"Seu conhecimento do orçamento da UE será muito útil para os acordos que o Eurogrupo terá que alcançar este ano", disse o eurodeputado liberal Luis Garicano, exigindo que essa instituição se torne "mais democrática" sob sua presidência.

Longe dos programas de resgate durante a crise da dívida da década passada, o principal desafio para a zona do euro é sair da recessão prevista para 2020, que, segundo o Fundo Monetário Internacional, pode atingir 10,2% do PIB.

Além disso, o próximo presidente do Eurogrupo terá que lidar com questões como a conclusão da União Bancária ou o orçamento da zona do euro, paralisados devido à pandemia de coronavírus.

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