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Portugal assume controle da companhia aérea TAP devido à crise da covid-19

Avião da companhia aérea portuguesa TAP; empresa foi privatizada em 2015, mas agora governo tem mais de 70% de ações  - Divulgação/TAP
Avião da companhia aérea portuguesa TAP; empresa foi privatizada em 2015, mas agora governo tem mais de 70% de ações Imagem: Divulgação/TAP

Da AFP, em Lisboa

03/07/2020 10h27

O governo de Portugal anunciou hoje que está assumindo o controle da companhia aérea TAP Air Portugal para impedir que ela sucumba em razão da crise causada pela pandemia do coronavírus.

O governo investirá 55 milhões de euros — cerca de R$ 330 milhões — para aumentar sua participação no capital da companhia de 50% para 72,5%, como anunciou o ministro das Finanças, João Leão, em entrevista coletiva citada pela emissora TSF.

"A atividade da TAP é de enorme importância estratégica para o país", destacou o ministro, explicando que o governo interveio "para evitar o colapso da empresa".

Após longas negociações com acionistas privados, o governo português chegou a um acordo que permite que o principal deles, o americano David Neeleman, se retire.

Seu parceiro português Humberto Pedrosa terá 22,5% das ações e os funcionários do grupo ficarão com 5%.

O presidente executivo do grupo, Antonoaldo Neves, nomeado por David Neeleman, será substituído "imediatamente", acrescentou o ministro da Infraestrutura, Pedro Nuno Santos, conforme informações da agência de imprensa portuguesa Lusa. Ele não anunciou um sucessor.

A empresa foi privatizada em 2015 até 61% das ações, mas no ano seguinte o Estado Português aumentou sua participação para 50% do capital.

O consórcio Atlantic Gateway, de Neeleman e Pedrosa, possuía 45%.

A companhia aérea desempenha um papel essencial no setor do turismo, um dos motores da economia portuguesa.

"Quase 90% dos nossos turistas chegam de avião, metade pela TAP", recordou o ministro da Infraestrutura na terça-feira (30), enfatizando que "seria um desastre econômico perdê-la".

O governo propôs um empréstimo de até 1,2 bilhão de euros — quase R$ 7,2 bilhões — para acionistas com o intuito de resgatar o grupo, mas o conselho de administração rejeitou as condições, segundo Santos.

As companhias aéreas podem sofrer mais de 84 bilhões de dólares — R$ 449 bilhões — em perdas líquidas em 2020 e outros 15 bilhões — R$ 80 bilhões — em 2021 devido à pandemia de coronavírus, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo.

Os confinamentos impostos para combater a propagação do vírus afetaram diretamente a aviação comercial. Os governos europeus intervêm massivamente para evitar a falência de grandes grupos, como a Lufthansa e a Air France.