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Missão espacial descobre minierupções que podem explicar enigma sobre o sol

16/07/2020 15h31

Paris, 16 Jul 2020 (AFP) - As primeiras imagens da sonda Solar Orbiter recebidas na Terra mostraram minierupções de plasma que podem esclarecer um dos enigmas que mais intrigam os astrônomos: por que na superfície da estrela a temperatura é de alguns milhares de graus e na coroa, a centenas de milhares de quilômetros, chega a milhões.

Após 10 meses de viagem, a missão europeia-americana está obtendo as primeiras imagens cientificamente promissoras, graças aos seis instrumentos de observação que dão ao veículo uma capacidade única de capturar imagens da estrela em todo o espectro eletromagnético.

"O Sol nunca foi visto tão de perto", disse à AFP Anne Pacros, chefe da carga útil da missão Solar Orbiter, uma colaboração entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Nasa, que decolou da Terra no dia 10 de fevereiro.

Feitas a 77 milhões de quilômetros da estrela (cerca de metade da distância Terra-Sol), essas primeiras imagens identificaram um novo fenômeno: miniexplosões de plasma perto da superfície, detalhou a ESA em uma coletiva de imprensa.

"O Sol pode parecer calmo à primeira vista, mas quando olhamos em detalhe podemos ver essas erupções em miniatura em qualquer lugar", comentou David Berghmans, do Observatório Real da Bélgica, principal pesquisador do instrumento de sensoriamento remoto "Extreme Ultraviolet Imager" (EUI).

Essas ejeções, que até agora não haviam sido vistas em detalhes, "são pequenas em comparação com as gigantescas explosões solares que podemos observar da Terra, milhões ou bilhões de vezes menores", explicou o físico.

Ainda assim podem ser do tamanho equivalente a um país pequeno, acrescentou Berghmans.

- "Graal" da física solar -Os cientistas ainda não sabem se esses fenômenos são uma versão em miniatura das grandes erupções ou o resultado de diferentes mecanismos. No entanto, as teorias já afirmam que poderiam contribuir para o aquecimento da coroa solar, um fenômeno até agora inexplicável.

A coroa, a camada mais externa do Sol, que se estende por milhões de quilômetros no espaço, atinge milhões de graus, enquanto a superfície é de cerca de 5.500 graus.

Essa diferença é contrária às leis da física, que indicam que quanto mais afastadas de uma fonte de calor, mais a temperatura cai.

Entender esses mecanismos é considerado o "Graal" da física solar, enfatiza a ESA.

Solar Orbiter tem muitos outros objetivos, incluindo entender como o Sol controla a heliosfera, os bilhões de quilômetros de diâmetro em bolhas formadas pelo vento estelar (um fluxo de partículas eletricamente carregadas) que envolve o sistema solar e o protege dos raios cósmicos.

Para estudar isso, o Solar Orbiter possui quatro instrumentos que medem o ambiente próximo ao veículo.

A sonda também deve estudar as tempestades carregadas de partículas energéticas, causadas por explosões solares, que podem perturbar significativamente as redes de telecomunicações e as redes terrestres de eletricidade - a chamada "meteorologia espacial".

Imagens inéditas dos polos do astro, "terra desconhecida", também devem ser reveladas até 2025, talvez possibilitando esclarecer o funcionamento do campo magnético solar, disse Sami Solanki, diretor do Instituto Max-Planck de pesquisas sobre o sistema solar.

Essas primeiras imagens são apenas o começo, pois a missão Solar Orbiter ainda não entrou na fase de coleta de dados científicos.

Em março de 2022, a sonda retornará ainda mais perto do Sol, depois de se aproximar de Vênus e da Terra, cuja gravidade permitirá que ela se mova de volta à sua órbita final, a 42 milhões de quilômetros do Sol.

Sua missão de pelo menos dez anos deve completar a da sonda robótica americana Parker Solar Probe, que se aproximou muito do Sol, mas não possuía os instrumentos da Solar Orbiter.

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