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Eleições legislativas na Síria, devastada pela guerra e em plena crise econômica

19/07/2020 09h43

Damasco, 19 Jul 2020 (AFP) - Os sírios elegem, neste domingo (19), seus deputados em um país devastado pela guerra e em plena crise econômica, onde o regime de Bashar al-Assad consolidou seu domínio sobre a imensa maioria do território.

Esta é a terceira eleição parlamentar desde o início, em 2011, de um conflito que matou mais de 380.000 pessoas e causou o êxodo de milhões, enquanto o regime e seus aliados são alvos de sanções ocidentais.

Mais de 7.000 assembleias de voto, abertas desde 07h00 (01h00 de Brasília) nas áreas governamentais, devem fechar às 19h00 (13h00 de Brasília), segundo a Comissão Eleitoral.

Pela primeira vez, a votação ocorre em antigos redutos da rebelião.

O partido Baath, no poder há meio século e intimamente ligado ao clã Assad, geralmente vence as eleições legislativas organizadas a cada quatro anos para eleger 250 deputados, enquanto a maioria dos opositores vive no exílio ou em setores que escapam ao controle de Damasco.

O presidente Assad e sua esposa Asma votaram em Damasco, anunciou a presidência síria, publicando fotos do casal elegantemente vestido e usando máscaras protetoras contra o novo coronavírus.

Também na capital, dezenas de eleitores - alguns usando máscara e respeitando as medidas de distanciamento - foram às assembleias de voto, constatou um correspondente da AFP.

Khaled al-Shaleh, de 50 anos, diz que dará seu voto a um candidato "de confiança capaz de transmitir ao Parlamento as queixas dos cidadãos que sempre foram econômicas, seja antes, durante ou depois da guerra".

Não muito longe de uma seção de votação na Avenida Bagdá, na capital, voluntários exibiam programas e fotos de seus candidatos, tentando influenciar a escolha dos eleitores que comparecem às urnas.

Na véspera da eleição, uma pessoa foi morta e outra ferida na explosão de duas bombas perto de uma mesquita nos subúrbios do sul de Damasco, segundo a agência de notícias oficial Sana.

Originalmente agendada para abril, as eleições foram adiadas duas vezes devido à pandemia que infectou 496 pessoas e deixou 25 mortos nas áreas do regime, segundo dados oficiais.

Durante as eleições legislativas de 2016, a taxa de participação foi de 57,56%.

- "Esforço excepcional" -Sem surpresa, a oposição no exílio chamou a eleição de "farsa".

Questionado pela AFP, Nasr Hariri, uma figura da oposição, criticou "um parlamento de fachada, usado pelo regime para aprovar leis que servem unicamente ao poder".

Segundo a comissão eleitoral, assembleias de voto foram instaladas pela primeira vez em Ghuta Oriental, um antigo enclave insurgente às portas da capital.

Também foram instaladas em territórios reconquistados na província de Idlib, o último grande reduto jihadista e rebelde do noroeste, ainda na mira do regime.

Damasco tem acumulado vitórias nos últimos anos, graças ao apoio militar da Rússia e do Irã, e já recuperou o controle de mais de 70% do país fragmentado pela guerra.

Hoje, no entanto, os programas dos candidatos são dominados por questões econômicas e sociais, com promessas de soluções específicas para a alta dos preços e a reabilitação das infraestruturas.

"Os deputados terão que fazer um esforço excepcional para melhorar os serviços" à população, disse no sábado Oumaya, 31 anos, empregada em uma clínica odontológica.

Há vários meses, a economia está em queda livre, com uma depreciação histórica da moeda. Mais de 80% da população vive abaixo da linha da pobreza, de acordo com a ONU.

Foram criadas assembleias de voto específicas nas várias províncias para permitir aos deslocados internos votar nos candidatos da sua região de origem.

Mas os milhões de sírios no exterior, a maioria dos quais refugiados, não poderão participar das eleições a menos que retornem.

Vinte anos atrás, Bashar al-Assad, então com 34 anos, assumiu o poder após a morte de seu pai, Hafez al-Assad.

Após três décadas de poder de seu pai, "Bashar" incorporava uma esperança de mudança. Vinte anos depois, seu regime é tratado como pária no cenário internacional.

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