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Tensão em cúpula da UE faz temer fracasso

19/07/2020 09h21

Bruxelas, 19 Jul 2020 (AFP) - Os europeus temiam, neste domingo (19), um fracasso nas negociações sobre um plano de recuperação pós-coronavírus, no terceiro dia de uma cúpula europeia em Bruxelas.

Apesar da "boa vontade" dos 27, "é possível que nenhum resultado seja obtido hoje", alertou a chanceler alemã Angela Merkel em sua chegada à cúpula para um dia descrito como "decisivo".

O presidente francês, Emmanuel Macron, que defende esse plano ao seu lado, advertiu-o que "compromissos" não poderiam ser feitos "à custa da ambição europeia".

Desde o valor global do plano, até a divisão entre empréstimos e doações, passando pelo controle dos fundos, existem muitos pontos de discórdia.

E a necessária unanimidade dos 27 Estados membros dificulta um compromisso.

Merkel e Macron se reuniram no início da manhã com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, condutor da cúpula, para decidir o caminho a seguir, após 48 horas de discussões que não convenceram a Holanda e seus aliados "frugais" (Dinamarca, Suécia e Áustria, além da Finlândia), muito reservados sobre esse projeto.

Segundo uma fonte diplomática, a alemã e o francês precisam decidir "com base nisso se devem ou não retomar" a cúpula, que deveria reiniciar ao meio-dia (10h00 GMT), mas cuja retomada foi adiada.

O segundo dia de discussões, sob alta tensão, terminou na madrugada com uma reunião "muito difícil", segundo várias fontes, entre o presidente francês, a chanceler alemã e os líderes dos quatro "frugais" e a Finlândia.

Após várias tentativas mal sucedidas de compromisso, Merkel e Macron encontraram o líder italiano Giuseppe Conte - cujo país, juntamente com a Espanha, seria um dos principais beneficiários do plano.

Na mesa de negociações, um fundo constituído por uma capacidade de empréstimo de 750 bilhões de euros para revitalizar a economia europeia, que enfrenta uma recessão histórica, apoiada pelo orçamento de longo prazo da UE (2021-2027) de 1.074 trilhão de euros.

Michel, que já havia apresentado uma proposta revisada no sábado, deve "testar" uma nova neste domingo.

Uma opção é modificar a distribuição entre empréstimos e doações, aumentando a participação do primeiro para 300 bilhões (contra 250 na proposta inicial), sem reduzir a parcela de doações diretamente destinadas aos Estados para apoiar seus planos de recuperação.

Os "frugais" preferem empréstimos, que cada Estado deve reembolsar pessoalmente.

Charles Michel também propôs um mecanismo que permite que um país que tenha reservas sobre as reformas apresentadas por outro Estado, em troca de ajuda, abra um debate.

Este pedido preocupa Roma e Madri, que temem ser submetidos a um programa de reformas.

Outro assunto delicado: o vínculo entre o pagamento da ajuda e o respeito pelo Estado de Direito, que irrita Budapeste e Varsóvia, atualmente na mira da UE.

Neste domingo, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, acusou seu colega holandês, Mark Rutte, também muito envolvido no assunto, de querer "puni-lo financeiramente".

"Não sei por que motivo pessoal o primeiro-ministro holandês me odeia ou a Hungria", disse ele durante uma coletiva de imprensa.

Segundo Orban, a criação de tal mecanismo exigiria "semanas de negociações".

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