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Alemanha e França lutam para impor sua lei na UE

20/07/2020 13h34

Bruxelas, 20 Jul 2020 (AFP) - Sempre juntos, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron defendem uma frente comum durante a cúpula sobre a reconstrução da União Europeia (UE), apesar de verem sua autoridade questionada pelos líderes de pequenos países.

Sobre a mesa está um plano de recuperação de 750 bilhões de euros (840 bilhões de dólares) apresentado pela Comissão Europeia, mas baseado em um plano franco-alemão de meio trilhão de euros para superar a crise do coronavírus na UE.

Para defendê-lo, Merkel e Macron lutam juntos desde sexta-feira e "sua coordenação provavelmente está mais estreita do que nunca", comenta um diplomata. "A harmonia entre os dois é total", segundo uma fonte diplomática francesa.

Ao chegar nesta segunda-feira à cúpula, para um quarto dia de negociações difíceis, o presidente francês garantiu que continuaria lutando "junto com a chanceler Merkel", como fizeram "juntos nos últimos dias e nas últimas noites".

"Estou muito satisfeita que o presidente francês e eu tenhamos pressionado por um programa realmente substancial nessa situação extraordinária", disse a chefe do Governo alemão, cujo país ocupa a presidência pro tempore da UE.

Prova de sua sintonia foi a decisão de abandonar juntos uma reunião no sábado, na qual os líderes dos países "frugais" - Holanda, Áustria, Suécia e Dinamarca - "não mostraram sinais de boa vontade", segundo a fonte francesa.

E, 24 horas depois, durante um jantar tenso no domingo, Macron "bateu na mesa, apoiado por Angela Merkel" para denunciar a atitude de bloqueio desses países, que exigem uma redução do volume de subvenções do plano.

Cada um tem seu próprio estilo. O presidente francês é mais direto, mesmo comparando ao primeiro-ministro holandês Mark Rutte ou ao ex-primeiro-ministro britânico David Cameron. Por seu lado, Merkel, no poder desde 2005, é mestre do compromisso.

Mas, desde sexta-feira, enfrentam uma oposição mais dura do que o esperado dos "frugais", liderados pela Holanda, "que conseguiram não acabar isolados", destaca Fabian Zuleeg, especialista do European Poilcy Centre (EPC).

"No começo, éramos quatro países, agora somos cinco", com o apoio da Finlândia, comemorou o chanceler austríaco Sebastian Kurz. "Pequenos países" que, sozinhos, não teriam tanto peso sobre os "grandes", assegurou.

Um primeiro aviso foi lançado no início de julho, quando a ministra da Economia espanhola, Nadia Calviño, não conquistou a presidência do Eurogrupo apesar de contar com o apoio das principais economias do euro: Alemanha, França, Itália e Espanha.

Merkel e Macron coordenaram sua estratégia desde que, em 18 de maio, Berlim aceitou o princípio de emitir dívida comum na UE. Mas, embora o "casal franco-alemão seja necessário, não é mais suficiente", como mostra esta cúpula, segundo Zuleeg.

Macron multiplicou os contatos com seus pares para "convencê-los com base no acordo franco-alemão", especificando que "cada um" dos líderes deveria "ser ouvido". Em 23 de junho, viajou para Haia para dialogar com o holandês Rutte.

Por décadas, a França e a Alemanha, os dois países mais populosos do bloco, foram a força motriz por trás da ascensão da UE.

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