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Mianmar se aventura no espaço com lançamento de primeiro satélite

25/07/2020 12h46

Meiktila, Mianmar, 25 Jul 2020 (AFP) - Mianmar se prepara para lançar seu primeiro satélite de observação da Terra, como parte de um programa espacial de nove países asiáticos, com o objetivo de proteger milhões de pessoas de catástrofes naturais, ou climáticas.

A futura "superconstelação" asiática poderá rastrear tufões, atividades sísmicas e correntes marítimas do continente, além de fornecer informações sobre o estado das terras cultivadas, ou sobre o avanço de uma epidemia.

É a primeira aventura espacial para o país mais pobre de um consórcio que também inclui Filipinas, Vietnã, Indonésia e Japão. No futuro, Malásia, Tailândia, Bangladesh e Mongólia vão-se integrar a ele.

O satélite foi fabricado no Japão, mas projetado e desenvolvido em Mianmar, em um edifício em forma de ônibus espacial, situado no campus universitário que abriga a escola de Engenharia Aeroespacial, perto de Meiktila, no centro do país.

Essa tecnologia ajudará o país do Sudeste Asiático a "dar um salto adiante", disse à AFP o diretor da escola, Kyi Thwin.

E "era mais barato criar nosso próprio satélite", acrescentou.

A primeira contribuição de Mianmar é de US$ 16 milhões, em comparação com mais de US$ 100 milhões para um satélite convencional.

O país não dispõe de base de lançamento, mas terá seu próprio centro de controle de solo, que trabalhará com outro sediado no Japão.

- Um sonho -"Mianmar será um dos principais atores" do projeto, disse à AFP Yukihiro Takahashi, da Universidade Hokkaido do Japão, que apoia os engenheiros birmaneses.

"O que era grande, pesado e caro se tornou pequeno, leve e acessível", resume.

O objetivo é lançar pelo menos cinco microssatélites por ano, cada um com menos de 100 quilos e de cinco anos de vida, até que o consórcio controle cerca de 50 dispositivos em órbita.

Segundo Takahashi, os dispositivos usados para fotografar a Terra estão entre os melhores do mercado, com capacidade de tirar fotos de tufões, ou de áreas afetadas quase continuamente. As imagens serão convertidas em modelos 3D.

Essas imagens de alta definição também acompanharão o uso da terra agrícola e o desenvolvimento urbano, assim como detectar desmatamento, ou mineração ilegal.

A pesquisadora Sinead O'Sullivan, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), defende há anos que as economias emergentes invistam em sua própria tecnologia de satélite, para evitar depender dos gigantes do setor que vendem suas imagens a preços astronômicos.

"É completamente lógico - política, econômica e socialmente - que esses países se dotem de capacidades para responder à gestão de seus próprios riscos", disse ela à AFP.

O lançamento do primeiro satélite birmanês está previsto para o início de 2021.

Uma equipe de sete engenheiros birmaneses, incluindo Thu Thu Aung, viajará para o Japão para a ocasião.

A engenheira de 40 anos aproveita os últimos meses até viver o que lhe parecia inatingível quando, ainda criança, entusiasmava-se com os filmes sobre os heróis da conquista espacial.

"Enviar um satélite para o espaço é o nosso sonho, desde a universidade", conta a engenheira.

smm-rs/apj/del/ob/erl/me/tt