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Abalada por pandemia, Boeing planeja novos cortes de funcionários e produção

29/07/2020 17h25

Nova York, 29 Jul 2020 (AFP) - A Boeing anunciou nesta quarta-feira (29) perdas acima do esperado no último trimestre e afirmou que provavelmente reduzirá ainda mais sua produção e força de trabalho devido à prolongada redução de voos devido à pandemia do novo coronavírus.

A gigante do setor aeroespacial, que já havia suspendido dividendos para os acionistas e anunciado uma redução de 10% em sua equipe, também disse que interromperá a produção do icônico jumbo 747 e atrasará os planos de produção de outras aeronaves comerciais devido à perspectiva sombria.

Essas decisões possivelmente levarão a mais cortes de empregos.

"Infelizmente, o impacto prolongado da COVID-19, que causou reduções adicionais em nossas taxas de produção e menor demanda por serviços comerciais, significa que teremos que avaliar ainda mais o tamanho de nossa força de trabalho", disse o executivo-chefe, Dave Calhoun, em uma mensagem para os funcionários.

"Esta é uma notícia difícil, e sei que aumenta a incerteza em um momento já desafiador. Vamos tentar limitar o impacto sobre nosso pessoal o máximo possível no futuro".

Calhoun, em entrevista à CNBC, disse que o mais recente aumento nos casos de coronavírus nos Estados Unidos tornou a perspectiva de viagens de curto prazo "mais difícil" porque as companhias aéreas que adicionaram voos logo após um breve aumento de interesse já os estão reduzindo novamente.

- Adeus 747 -A gigante aeroespacial sofreu perdas de US$ 2,4 bilhões no segundo trimestre, encerrado em 30 de junho. Sua receita caiu 25%, a US$ 11,8 bilhões.

O impacto do coronavírus piorou a situação da Boeing devido à crise em torno do 737 MAX, que permanece em terra devido a dois acidentes fatais em março de 2019.

A Boeing disse que está fazendo "um progresso constante" para que o MAX seja certificado novamente, depois que a Administração Federal de Aviação dos EUA concluiu voos de teste no início deste mês.

Esse processo também foi atrasado pela pandemia. A empresa retomou algumas atividades no MAX em maio, depois de interromper o trabalho por alguns meses, mas na quarta-feira reduziu ainda mais os planos de produção.

A Boeing disse que planeja aumentar gradualmente a produção da aeronave para 31 por mês no início de 2022, um recuo em relação ao plano anterior, que pretendia atingir esse nível em 2021, e muito longe da meta de 57 por mês até 2020, definida antes da paralisação pela pandemia.

O CEO da Boeing também cortou os planos de produção para os 777 e 787 e disse que a empresa deixará de produzir o 747 em 2022.

Na entrevista na televisão, Calhoun disse que decidir parar de fabricar o 747 era uma "decisão comovente para todos" na Boeing, mas que a ação foi tomada devido às necessidades dos negócios.

A companhia esclareceu, no entanto, que continuará prestando serviço para os 747s que já estão no mercado nas próximas décadas.

Embora os negócios de aeronaves comerciais da Boeing tenham sido afetados pela crise global da saúde, a empresa reportou receita fixa de seus negócios de defesa e aeroespacial no mesmo período do ano passado.

Essas áreas fornecem "alguma estabilidade crucial" no curto prazo, já que a empresa toma "medidas difíceis, mas necessárias" para se adaptar às novas realidades do mercado, afirmou a Boeing em comunicado.

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