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Fed pede que políticos aumentem apoio à economia americana

29/07/2020 18h16

Washington, 29 Jul 2020 (AFP) - Em meio à crise da pandemia de coronavírus nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, pediu nesta quarta-feira (29) aos políticos que tomem novas medidas para apoiar a economia.

Como esperado, o Fed anunciou que manterá suas taxas de referência de empréstimo entre 0 e 0,25%. Essa decisão foi tomada por unanimidade e as taxas permanecerão nesse nível enquanto a economia não se recuperar totalmente do choque causado pela crise da saúde, informou a instituição.

"O ritmo da recuperação econômica está intimamente relacionado à evolução do vírus", afirmou o Fed em comunicado divulgado após sua reunião monetária.

"Após uma acentuada deterioração, a atividade econômica e o emprego se recuperaram novamente nos últimos meses, mas permanecem bem abaixo de seus níveis no início do ano", acrescentou.

Em uma entrevista coletiva, Powell disse que "o aumento da propagação do vírus e as medidas tomadas para controlá-lo estão começando a pesar na atividade econômica".

Nesse contexto, o ritmo futuro da economia dos EUA é "extraordinariamente incerto", disse. E insistiu: uma recuperação real "dependerá em grande parte do nosso sucesso no controle do vírus".

O Fed também está determinado a usar todas as ferramentas à sua disposição para continuar apoiando a economia devastada pela pandemia.

Desde março, intensificou as ações para permitir que a economia dos EUA continue funcionando, apesar da paralisia do confinamento em grande parte do país e dos esforços para reabrir em meados de maio.

O Fed enfatizou repetidamente a importância do apoio financeiro fornecido pelo governo federal a famílias e empresas.

No Congresso, autoridades republicanas e a oposição democrata começaram a negociar um novo plano de ajuda de US$ 1 trilhão, mas espera-se que as discussões sejam tensas, com menos de 100 dias para as eleições presidenciais em que Donald Trump procura renovar seu mandato.

O Fed anunciou que estenderá até 31 de dezembro vários programas de empréstimos estabelecidos para ajudar empresas e diferentes setores a enfrentar a crise. Originalmente eles terminariam "por volta de 30 de setembro".

- "Reforços de liquidez" -Após um período de otimismo devido ao reinício da atividade econômica em vários estados, a pandemia ganhou novo vigor nos Estados Unidos, o país mais atingido do mundo, com mais de 150.000 mortes e 4,3 milhões de casos.

A situação é particularmente preocupante na Califórnia, na Flórida e no Texas, onde as autoridades foram forçadas a restabelecer medidas de contenção em graus variados.

As demissões de ex-funcionários desde o final de março, ou mesmo de trabalhadores recém-contratados, sobrecarregaram os pedidos de subsídio de desemprego em meados de julho, pela primeira vez desde o início da crise.

O Fed também anunciou em outro comunicado à imprensa a extensão dos acordos de "swap", estabelecidos em março diante do avanço da pandemia, para permitir que nove de suas contrapartes, incluindo os bancos centrais do Brasil, Austrália e países nórdicos, acesse facilmente dólares.

Outro dispositivo, criado no final de março para permitir aos bancos centrais estrangeiros fácil acesso a dólares pela troca "temporária" de notas do Tesouro dos EUA por dólares, também foi estendido até 31 de março de 2021.

O objetivo é manter "reforços significativos de liquidez".

O comitê monetário se reuniu na terça e nesta quarta-feira em meio a uma onda de COVID-19 nos Estados Unidos, que leva vários estados a desacelerar a recuperação econômica.

O PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre será divulgado nesta quinta-feira e espera-se uma contração de pelo menos 35%.

jul/Dt/oaa/ad/ll/cc