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Seca extrema de 2018-19 na Europa pode se repetir, diz estudo

06/08/2020 12h44

Paris, 6 Ago 2020 (AFP) - A seca sem precedentes em 250 anos que afetou a Europa em dois verões consecutivos, em 2018 e 2019, pode se repetir com mais frequência antes do final do século por causa do aquecimento global, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (6).

Em 2003, a Europa já foi afetada por uma onda de calor e uma seca excepcionais que provocaram sérios danos à agricultura.

Em 2018 e 2019, o fenômeno aconteceu novamente.

O estudo publicado nesta quinta-feira na revista Scientific Reports utiliza dados desde 1766 e demonstra que "as secas de dois verões consecutivos em 2018 e 2019 não têm precedentes em 250 anos e seu impacto combinado com o crescimento dos vegetais é mais forte do que o da seca de 2003".

As secas consecutivas dos anos 1949-1950 estão classificadas em segundo lugar, mas o território afetado foi muito menor.

Os pesquisadores estimam que o episódio de 2018-2019 afetou mais da metade da Europa central (da França à Polônia, passando pela Itália e Alemanha).

Devido às mudanças climáticas, se nada for feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, um evento como esse tem sete vezes mais probabilidade de se reproduzir na segunda parte do século XXI.

Neste cenário, "as projeções mostram também que as áreas agrícolas afetadas através da Europa central terão quase dobrado" até alcançar 40 milhões de hectares de colheitas, disse à AFP um dos autores do estudo, Rohini Kumar, do centro de pesquisa Helmholtz na Alemanha.

Mas se o mundo conseguir reduzir as emissões de CO2, essa repetição pode ser reduzida significativamente, em até mais da metade.

"Isso mostra que implementar medidas para reduzir as emissões pode diminuir o risco de episódios de seca consecutivos na Europa", disse Rohini Kumar.

abd/may/alc/pc/mb/aa