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Argentina não pode aceitar condições do FMI para acordo, diz presidente

11/08/2020 16h47

Buenos Aires, 11 Ago 2020 (AFP) - A Argentina não poderá aceitar as condições do Fundo Monetário Internacional, órgão com o qual pretende assinar um novo programa após a suspensão do acordo stand-by de 2018 por cerca de 57 bilhões de dólares, alertou o presidente Alberto Fernández na terça-feira.

"Não estou em posição de aceitar nenhuma condicionalidade. Não estou em posição porque a Argentina não está em condições", disse Fernández em uma entrevista de rádio, referindo-se às negociações que começarão em breve com o FMI.

"Peço que confiem porque não podemos aceitar condicionalidades que exijam que nos ajustemos, mas sabemos que devemos cumprir nossas obrigações", acrescentou.

Fernández destacou o apoio que a Argentina recebeu do FMI no processo de reestruturação de cerca de 66 bilhões de dólares de dívida emitida em títulos de legislação estrangeira, que deve ser encerrada em 24 de agosto e conta com a aprovação dos três principais grupos de credores.

"Se o Fundo disse que, como estava, a dívida não é sustentável, é porque diziam que a Argentina não tem de onde tirar os recursos. Isso é o mesmo que dizer que a Argentina não tem onde se ajustar", ressaltou o presidente.

"Estamos em um momento em que tudo está em discussão. Os dogmas do Fundo já se despedaçaram", insistiu.

A Argentina recebeu cerca de 44 bilhões de dólares do FMI entre 2018 e 2019, durante o governo de Mauricio Macri (2015-2019). Os vencimentos desse empréstimo começam no final de 2021.

Ao assumir o cargo em dezembro de 2019, Fernández renunciou às parcelas pendentes do acordo stand-by e planeja assinar um novo programa com o FMI.

No entanto, o ministro da Economia, Martín Guzmán, antecipou que a negociação será longa e complexa.

"Não vemos um acordo rápido pela quantidade de questões que devem ser negociadas", declarou Guzmán nesta terça-feira em outra entrevista de rádio, na qual assegurou que seu país discutirá "cada detalhe com base na prudência".

"Vai demorar meses. É possível que só no início do ano que vem possamos fechar", acrescentou o ministro. Em recessão desde 2018 e com uma pobreza de cerca de 40%, a economia argentina sofrerá ainda mais este ano com o impacto da pandemia COVID-19.

De acordo com a previsão mais recente do FMI, em 2020 o Produto Interno Bruto terá uma contração de 9,9%. A dívida pública da Argentina totaliza US$ 324 bilhões, cerca de 90% do PIB.

nn/mr/cc