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Com pandemia, Brasil volta à recessão

01/09/2020 14h07

Rio de Janeiro, 1 Set 2020 (AFP) - O Brasil voltou a mergulhar em recessão no segundo trimestre devido à pandemia do coronavírus, com uma contração econômica recorde de 9,7% em relação ao primeiro trimestre, quando já havia caído 2,5%, e voltou aos níveis de 2009.

A queda anunciada nesta terça-feira pelo instituto de estatística IBGE é superior aos 9,2% estimados, em média, por 49 economistas consultados pelo jornal Valor Econômico.

A projeção para maio melhorou (-11,1%) pela ajuda emergencial distribuída durante cinco meses pelo governo de Jair Bolsonaro, que nesta mesma terça-feira anunciou uma prorrogação até dezembro do auxílio, embora por um valor menor.

Em comparação com o segundo trimestre de 2019, a queda foi de 11,4%. No primeiro semestre, o recuo interanual foi de 5,9%.

A economia brasileira mal emergiu da recessão de 2015 (-3,5%) e 2016 (-3,3%), com uma fraca recuperação de 1,3% nos dois anos seguintes e de 1,1% em 2019.

Os setores que mais sofreram com a contração no segundo trimestre foram indústria (-12,3%) e serviços (-9,7%), que juntos representam 95% do PIB brasileiro. A agropecuária cresceu 0,4%, impulsionada principalmente pela produção de soja e café.

"O PIB já está no mesmo nível do final de 2009, no auge da crise financeira internacional", comentou o IBGE em comunicado.

O governo aposta numa retoma da atividade no segundo semestre, para fechar 2020 com uma contração de 4,7%, e projeta um crescimento de 3,2% em 2021.

- Tensões políticas e fiscais -Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a contração no segundo trimestre ocorreu no auge do isolamento social, quando várias atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para fazer frente à pandemia.

Desde abril, sob forte pressão política e social, o governo federal aprovou o pagamento de um subsídio mensal de 600 reais, que pode chegar a 1.200 em certos casos, para 66,4 milhões de brasileiros, mitigando assim a destruição de cerca de 9 milhões de empregos.

Graças a esses auxílios, o Brasil conseguiu amortecer o choque, quando comparados os números do segundo trimestre com os de outros países latino-americanos, como México (-17,1%) e Chile (-13,4%), ou de países desenvolvidos, como Reino Unido (-20,4%), Espanha (-18,5%) e França (-13,8%).

Esse auxílio emergencial também reverteu o desgaste político de Bolsonaro, que em agosto atingiu seus melhores índices de aprovação.

Por outro lado, criou tensões com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que teve que se resignar ao aprofundamento do déficit fiscal e da dívida pública, paralisando ao mesmo tempo seu programa de ajustes e privatizações.

Guedes queria limitar esse subsídio a 200 reais, mas Bolsonaro, que pretende ser reeleito em 2022, propôs fixá-lo em 300 reais até o final do ano.

O déficit fiscal continua sendo visto como o principal motivo de desconfiança dos mercados.

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE) prevê que o déficit primário brasileiro (antes do pagamento dos juros da dívida) salte de 0,85% do PIB ao final de 2019 para pelo menos 13 , 4% neste ano e que a dívida pública passa de 75,8% para 96% do PIB.

js/mel/mr