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Ações do HSBC registram menor valor em 25 anos após lista chinesa de 'entidades não confiáveis'

Sede do HSBC, em Hong Kong; banco enfrenta suspeita de permitir transferência de dinheiro de fraudadores ao redor do mundo -
Sede do HSBC, em Hong Kong; banco enfrenta suspeita de permitir transferência de dinheiro de fraudadores ao redor do mundo

21/09/2020 06h43

As ações do HSBC desabaram nesta segunda-feira ao menor valor em 25 anos pelo temor de que o banco seja incluído na lista chinesa de "entidades não confiáveis", as empresas consideradas uma ameaça para a segurança nacional, e por acusações de não denunciar supostas atividades fraudulentas.

As ações fecharam com perda de 5,33%, a 29,30 dólares de Hong Kong (quase 3,8 dólares), nível que não era registrado desde meados 1995, pela preocupação dos investidores sobre a capacidade do banco de fazer negócios na China e em Hong Kong

A queda aconteceu depois que o jornal estatal chinês em língua inglesa Global Times informou que o banco poderia ser uma das primeiras empresas incluídas na "lista de entidades não confiáveis" de Pequim, uma medida retaliatória da China contra as sanções ocidentais.

O texto destaca o papel do HSBC na investigação de Washington sobre a Huawei, e a prisão no Canadá, a pedido dos Estados Unidos, da diretora do grupo chinês, Meng Wanzhou.

A inclusão do HSBC na lista poderia resultar em sanções que vão de multas a restrições de atividades ou de entrada de material ou funcionários na China.

"Se a empresa figurar na lista da China como uma empresa pouco confiável, o que parece seguro, já que é um artigo do Global Times, o banco enfrentará muitas dificuldades para fazer negócios na China", disse Banny Lam, do CEB International Investment Corp., a Bloomberg News.

Ao mesmo tempo, o HSBC foi citado no domingo em uma investigação jornalística que afirma que vários bancos permitiram a transferência de dinheiro de fraudadores ao redor do mundo.

A investigação é baseada em milhares de "relatórios de atividades suspeitas" (SAR, na sigla em inglês) dirigidos aos serviços da polícia financeira do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o FinCen, por bancos de todo o mundo.

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), responsável pela reportagem, afirma que o banco "continuou lucrando graças a atores poderosos e perigosos" nas últimas décadas.

O HSBC se defendeu e afirmou que sempre respeitou suas obrigações legais sobre a notificação de atividades suspeitas.

Em um comunicado, o banco apresenta as denúncias do ICIJ como antigas e anteriores ao acordo concluído sobre o tema em 2012 com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

"O HSBC é uma instituição muito mais segura do que era em 2012", afirma. O banco afirma que desde então revisou suas capacidades de combate aos crimes financeiros em mais de 60 jurisdições.