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Futuro do TikTok nos EUA continua incerto

24/09/2020 17h33

Washington, 24 Set 2020 (AFP) - No novo capítulo da saga TikTok, a rede social no centro da disputa entre Washington e Pequim há semanas, um juiz americano pediu ao governo de Donald Trump que adiasse a proibição de baixar o aplicativo de vídeos curtos, prevista para começar na noite de domingo.

Algumas horas antes, a TikTok, subsidiária da empresa chinesa ByteDance, indicou que havia solicitado ao Ministério do Comércio da China uma licença de exportação de tecnologia, mas sem vincular claramente essa iniciativa a uma possível venda do aplicativo popular.

A partir de domingo às 23h59 (horário local), os usuários norte-americanos da plataforma não poderão mais atualizar o app, e aqueles que ainda não a possuem, não poderão mais baixá-lo.

Para evitar essa situação, a TikTok deve colocar suas operações sob o controle dos Estados Unidos, segundo o decreto assinado em meados do ano por Donald Trump, que acusa o aplicativo sem evidências de desvio de informações do usuário para a China.

No entanto, um juiz americano exigiu que o governo Trump adie esse ultimato ou explique sua posição antes do meio-dia de sexta-feira.

Caso o presidente se recuse a fazer, o tribunal pode marcar uma nova audiência na manhã de domingo.

Segundo o Tesouro, caso não haja acordo, o aplicativo poderá desaparecer por completo nos Estados Unidos a partir de 12 de novembro.

Nesta quinta, o TikTok levou sua disputa com Donald Trump para o terreno das liberdades e do respeito à Constituição dos Estados Unidos. O app pediu a um juiz americano que suspendesse a ordem de proibição do governo.

Em audiência perante um tribunal federal de Washington, a rede social apresentou uma moção, na qual afirma que sua proibição não atende à Constituição dos Estados Unidos.

Também destacou a importância da plataforma nos debates democráticos na corrida para as eleições de 3 de novembro nos Estados Unidos.

"A mistura de entretenimento leve e humor oferecido pelo aplicativo permitiu o crescimento inicial do TikTok. Mas hoje o TikTok se tornou um fórum para todas as expressões políticas", afirmam os advogados da empresa na ação.

"Muitos criadores de conteúdo usam nosso aplicativo para expressar sua solidariedade aos movimentos sociais, expressar suas preferências políticas, ou apoiar candidatos (...) com audiências de milhões de pessoas", apontam.

O Tiktok, assim como alguns desenvolvedores, usuários e especialistas, acredita que Trump tem atacado o aplicativo, porque os jovens são seu principal público e porque facilitou sua participação em ações políticas espontâneas contra o presidente, incluindo um recente comício importante.

O presidente sempre tentou controlar melhor as redes sociais, mas nos últimos meses as acusou de censura de seu campo político.

No último sábado, o Departamento de Comércio americano adiou para 27 de setembro a proibição de download do popular aplicativo nos Estados Unidos. Inicialmente, a medida estava prevista para entrar em vigor no domingo passado, 20.

Uma proibição total das atividades do TikTok em solo americano poderia entrar em vigor a partir de 12 de novembro.

Para evitar isso, Trump exige que o TikTok passe suas operações nos Estados Unidos para o controle de empresas do país.

"Se as proibições não forem suspensas, os danos causados aos demandantes serão irreparáveis", escreve a plataforma no expediente judicial.

A rede social rejeita a acusação de Trump de que espiona para a China, coletando dados entre seus usuários.

"Como demonstraram as declarações pouco claras e contraditórias do presidente e de outras autoridades nos últimos meses, as proibições não foram motivadas por preocupações genuínas de segurança nacional, mas sim por considerações políticas relacionadas às próximas eleições gerais", disse o TikTok.

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