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UE adverte que acordo pós-Brexit não deve afetar integridade do mercado único europeu

25/11/2020 12h40

Bruxelas, 25 Nov 2020 (AFP) - A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu nesta quarta-feira (25) que qualquer acordo pós-Brexit alcançado com o Reino Unido não deve afetar a integridade do mercado único europeu.

"Faremos tudo o que estiver em nossas mãos para alcançar um acordo. Estamos prontos para sermos criativos", disse Von der Leyen no Europarlamento, advertindo que o Reino Unido deve aceitar regas comerciais justas.

"Não estamos dispostos a colocar em julgamento a integridade do mercado único, a principal salvaguarda da prosperidade e riqueza europeia", advertiu.

Equipes de negociadores da UE e do Reino Unido prosseguem com as conversas para definir como funcionará a relação depois de 31 de dezembro, quando Londres abandonará o mercado único.

Um eventual acordo deve ser definido antes da data, pois ainda teria que ser ratificado por todas as partes.

"São dias decisivos para as negociações com o Reino Unido. Mas, francamente, ainda não posso dizer se no final haverá um acordo", disse a alemã.

De acordo com Von der Leyen, a UE busca apenas garantir que haja "uma diferença clara entre ser um membro pleno da União Europeia, ou ser um associado importante".

Von der Leyen admitiu que "ainda há temas muito importantes nos quais devemos chegar a um acordo", em referência aos três obstáculos restantes: direitos de pesca, gestão do futuro acordo e ajudas estatais às empresas.

"Temos um esboço geral de um possível texto final, mas há temas que exigem acordo", acrescentou, antes de destacar que os três temas pendentes "podem fazer a diferença entre ter, ou não, ter" um entendimento.

- Corrida contra o relógio -Sobre a delicada questão dos direitos de pesca, Von der Leyen reforçou que "ninguém questiona a soberania britânica sobre suas próprias águas, mas pedimos previsibilidade e garantias para os pescadores [europeus] que pescam nessas águas há décadas, até séculos".

Por motivos relacionados com as migrações naturais dos cardumes, os pescadores europeus navegam e pescam há muito tempo nas águas territoriais britânicas. Vários países chegam a ter toda uma cadeia produtiva adaptada para isso.

O vice-presidente da Comissão Europeia, Marcos Sefkovic, manifestou, por sua vez, a esperança de poder se reunir com as autoridades britânicas "nos próximos dias".

Já o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse ao Parlamento hoje que a posição de seu governo sobre a questão da pesca não mudou.

"Vamos obter avanços apenas se a União Europeia aceitar a realidade de que devemos ser capazes de controlar o acesso às nossas águas", frisou.

No Parlamento Europeu, porém, os legisladores já não escondem sua irritação com a interminável negociação.

Nesta quarta-feira, a legisladora alemã Maria Ska Skeller, líder do bloco verde nesta Casa, avisou que a instituição não se limitará "a simplesmente estar de acordo com tudo o que nos fizerem chegar no último minuto. O Parlamento precisa de tempo para fazer uma análise".

ahg/mar/zm/fp/tt