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Agricultores indianos bloqueiam estrada para protestar contra reforma agrícola

07/12/2020 13h29

Kundli, Índia, 7 dez 2020 (AFP) - Atrás das barreiras de caminhões e do arame farpado que bloqueiam o acesso a Nova Délhi, dezenas de milhares de agricultores montaram acampamentos improvisados em pleno frio de inverno para protestar contra as reformas agrícolas que, segundo eles, ameaçam seus meios de subsistência.

Colchões de palha, mantas sobre tratores, caminhões e reboques na estrada repletos de comida para seis meses, revelam sua determinação em manter o bloqueio até que o governo do primeiro-ministro Narendra Modi volte atrás nas reformas dos mercados agrícolas.

Gritos são ouvidos nos alto-falantes, alguns fazendeiros brandem espadas dentro de seus veículos.

"Essas leis endossam a sentença de morte dos agricultores", declara à AFP Sandeep Singh, de Ludhiana, no estado de Punjab, importante região agrícola.

"Este (bloqueio) é o Muro de Berlim. Mesmo que tenhamos que protestar durante um ou dois anos, mesmo que devamos enfrentar as balas, não iremos embora daqui até que as leis sejam revogadas", acrescenta o agricultor.

A fúria, dele e de todos, se deve às reformas adotadas no fim de setembro, que liberalizam os mercados agrícolas e os deixam, segundo eles, à mercê das grandes empresas, já que os agricultores poderão agora vender seus produtos aos compradores ao preço que esses ofertarem e não só nos mercados regulados pelo Estado ("mandis") com preços fixos.

"Não confiamos no governo para nada. Todas as leis anteriores resultaram um desastre (...) Querem privar os agricultores de seu poder e oferecer nossas terras e vidas às grandes empresas", destaca Singh.

O bloqueio começou quando os agricultores de Punjab marcharam para Nova Delhi em 26 de novembro. Já no segundo dia, as manifestações foram marcadas por violentos confrontos com a polícia nos subúrbios da cidade.

- "Marchar ou morrer" -A condição dos agricultores é uma questão política muito importante na Índia, onde dois terços de seus habitantes vivem em zonas rurais. Os suicídios de agricultores foram milhares nos últimos anos, por causa de dívidas contraídas e pela seca.

Singh, de 65 anos, é uma figura de destaque entre os manifestantes, seguido por dezenas de milhares de agricultores, em sua maioria sijs, originários de Punjab. Junto com uma dúzia de pessoas, se ocupa de dirigir os tratores com suprimentos até as portas de Nova Delhi.

Também supervisiona uma das dezenas de estabelecimentos onde a comida para a comunidade é preparada em potes enormes.

Além disso, monitora também a distribuição de medicamentos e máscaras contra a covid-19, ao longo dos quilômetros de Nova Delhi ao norte.

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