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O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, anunciou nesta quarta-feira (16) ter apresentado, junto com vários outros estados, uma ação contra a Google por práticas de monopólio.

16/12/2020 22h11

Nova York, 17 dez 2020 (AFP) - O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, anunciou nesta quarta-feira (16) ter apresentado, juntamente com outros estados, uma ação contra o Google por práticas de monopólio relacionadas à publicidade.

A ação legal atribui à gigante da Internet um "comportamento monopolista", "práticas de exclusão" e "declarações enganosas", disse Paxton no Twitter em um vídeo antecedido da mensagem: "Esse 'Golias' da Internet tem usado seu poder para manipular o mercado, destruir a concorrência e prejudicar VOCÊ, consumidor". "Não é justo que o Google tenha de fato eliminado a concorrência e sido coroado como chefe da publicidade virtual", acrescentou.

Paxon é apoiado por colegas de Arkansas, Idaho, Indiana, Kentucky, Mississippi, Missouri, Dakotas do Norte e Sul e Utah, estados governados por republicanos.

"Como revelam documentos internos, o Google buscou matar a concorrência usando um leque de táticas de exclusão, incluindo um acordo ilegal com o Facebook, sua maior ameaça potencial no mercado, para manipular as vendas nos leilões publicitários", assinala o documento. "Quando você visita o site de um meio que você conhece e confia, como o 'Wall Street Journal' ou seu jornal local favorito, provavelmente verá anúncios colocados lá pelo Google. Mas o Google não diz ao público que manipula leilões para anúncios", argumenta Paxton no vídeo.

O leilão é o método usado pela gigante da internet para decidir quais anúncios serão exibidos em uma determinada pesquisa e a ordem em que serão exibidos na página. O grupo atua como intermediário entre os sites e os anunciantes e administra a principal plataforma em que ambos se encontram.

Para o Google, as acusações "carecem de fundamento".

Os preços da publicidade na internet caíram nos últimos anos, se defendeu a gigante de tecnologia em mensagem enviada à AFP. As comissões cobradas pelo Google pela publicidade são mais baixas que a média, completou.

- Evidências de danos? -Várias plataformas digitais, entre elas Amazon, TripAdvisor e Yelp, se queixam de que o Google prioriza suas próprias ofertas nos resultados de busca.

Segundo estimativas da empresa eMarketer, o Google ganha cada vez mais dinheiro com publicidade nos Estados Unidos. Foram 42 bilhões de dólares em 2020, contra 37 bilhões em 2018, mas sua participação no mercado global da publicidade eletrônica passou de 32,8% em 2018 para 29,8% este ano.

A Associação da Indústria de Computação e Comunicações (CCIA), que representa as empresas do setor, declarou que apoia "a aplicação das leis contra o monopólio onde os consumidores se veem prejudicados", mas disse que espera "ver evidências de danos ao consumidor, uma vez que o preço dos anúncios caiu dramaticamente na última década e a concorrência se intensificou".

A ação anunciada hoje representa uma dificuldade adicional para a empresa californiana, cujo modelo baseado em serviços gratuitos e publicidade direcionada a partir de dados de seus usuários está sob os holofotes após a instauração de uma ação judicial do Departamento de Justiça.

O governo dos Estados Unidos acusou o Google, em outubro, de manter um "monopólio ilegal" de pesquisa e publicidade online. A empresa, fundada em 1998, é criticada por ter abusado de técnicas para excluir seus concorrentes. O Texas e outros estados se uniram à denúncia do Departamento.

De acordo com o site Politico, vários estados americanos, liderados pelos procuradores-gerais de Colorado e Nebraska, poderiam registrar outra denúncia similar na quinta-feira contra o Google, também relacionada ao seu mecanismo de busca. Diversas plataformas digitais, incluindo Amazon, TripAdvisor e Yelp, já reclamaram que o grupo, com sede na Califórnia, prioriza suas próprias ofertas nos resultados de busca. Para vencer nos tribunais, as autoridades terão que mostrar que o Google prejudicou os consumidores, quando suas ferramentas, entre elas os serviços de correio eletrônico e mapas, costumam ser gratuitas.

Os processos aumentam contra gigantes da internet, como o Google, mas também contra Amazon e Facebook, que acumularam grande poder nos últimos anos em seus respectivos nichos.

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