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FMI alerta que agravamento da pandemia na América Latina ameaça recuperação

Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI - MIKE THEILER
Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI Imagem: MIKE THEILER

08/02/2021 14h32

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje que o agravamento da pandemia na América Latina ameaça "frustrar uma recuperação já desigual" e que a economia regional voltará aos níveis anteriores à crise apenas em 2023.

Alejandro Werner, diretor do FMI para as Américas, e dois outros economistas alertaram em um post no blog da entidade que "a recuperação total ainda está muito longe", apesar de uma melhora nas estimativas em relação aos prognósticos anteriores.

"O produto da região voltará aos níveis pré-pandêmicos apenas em 2023, e o PIB per capita em 2025, ou seja, mais tarde do que outras regiões do mundo", afirmam especialistas do FMI.

A região registrou 618.817 mortes e 19.571.506 casos da covid-19, um golpe que segundo o FMI levou 17 milhões de pessoas à situação de pobreza.

"De modo que não observamos uma redução de casos e principalmente nas mortes e no uso da capacidade hospitalar na América Latina no segundo trimestre deste ano, obviamente a recuperação que estamos antecipando está em risco", afirmou Werner em uma entrevista coletiva virtual.

Menor crescimento para Argentina

Em 26 de janeiro, o FMI atualizou suas projeções para a região em 2021, projetando um crescimento de 4,1%, com revisão para cima das grandes economias do Brasil e México, que terão crescimento de 3,6% e 4,3%, respectivamente.

Essas projeções seguem um ano em que o PIB regional caiu 7,4% - segundo a projeção revisada - e estão abaixo do crescimento esperado de 5,5% para a economia global em 2021.

Nesta segunda-feira, o FMI adiantou que a Argentina sairá da recessão em 2021 com um crescimento de 4,5%, desempenho esse que está 0,4 ponto percentual abaixo do que o órgão projetou em outubro.

A Argentina, que entrou em recessão em 2018 em meio a um estouro do mercado de câmbio, está renegociando um programa com o FMI.

No alvorecer desta crise, o governo de Mauricio Macri recorreu ao FMI e obteve um acordo temporário de 36 meses estimado em 57 bilhões de dólares, valor recorde para a entidade multilateral.

Do total, o FMI recebeu 44 bilhões de dólares, antes que o sucessor Alberto Fernández renunciasse ao que resta pagar.

Agora, o governo Fernández voltou à mesa de negociações com o FMI e estabeleceu como objetivo chegar a um acordo em maio, quando vence a dívida de US$ 2,4 bilhões da Argentina com o Clube de Paris.

Enquanto isso, o organismo multilateral projeta uma expansão econômica de 5,8% para o Chile, acima do crescimento do PIB de 4,5% estimado em seu último relatório.

Para a Colômbia, o FMI calculou um crescimento de 4,6%, 0,6 ponto percentual acima de suas projeções anteriores, enquanto estimava para o Peru uma expansão de 9%, o que representa uma forte melhora em relação aos 7,3% do relatório anterior.

O Fundo enfatizou que a crise teve um impacto "desproporcional" sobre o emprego e as perdas se concentraram principalmente em mulheres, jovens e trabalhadores informais e menos qualificados.