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Belarus rejeita críticas após desvio de avião que transportava opositor

24/05/2021 12h40

Minsk, Bielorrússia, 24 Mai 2021 (AFP) - O governo de Belarus rebateu nesta segunda-feira (24) as críticas pelo desvio forçado de um avião europeu que transportava um opositor, que foi detido, uma ação que provocou protestos diplomáticos e pedidos de uma resposta dura.

O voo da companhia Ryanair com destino a Vilnius, capital da Lituânia, no qual viajava o jornalista dissidente Roman Protasevich, foi desviado no domingo (23) quando estava no espaço aéreo bielorrusso por uma suposta ameaça de bomba.

Acompanhado por um avião de combate bielorrusso, a aeronave pousou na capital Minsk, onde Protasevich, de 26 anos, que morava entre dois Estados da União Europeia, Polônia e Lituânia, foi detido ao lado de sua companheira.

Os líderes ocidentais acusaram o regime de Alexander Lukashenko de sequestrar um avião europeu e afirmaram que a ação não ficará sem resposta.

Muitos europeus pediram novas sanções contra o país em uma reunião de cúpula prevista para esta segunda-feira. O governo dos Estados Unidos criticou a ação e exigiu a libertação de Protasevich.

Em sua primeira reação oficial após o incidente, o Ministério das Relações Exteriores de Belarus insistiu em que o país agiu de maneira legal.

"Não há dúvida de que as ações de nossas autoridades competentes (...) cumpriram plenamente as normas internacionais estabelecidas", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Anatoly Glaz, em um comunicado, no qual acusa o Ocidente de "politizar" a situação.

"Estão fazendo acusações infundadas", acrescentou Glaz.

Belarus também alegou, nesta segunda, ter recebido uma ameaça de "bomba que explodirá" no voo Ryanair, assinada pelo Hamas, conforme e-mail atribuído ao movimento islamista palestino lido por uma autoridade do Ministério bielorrusso dos Tranportes.

Minsk garantiu que informou a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), órgão do sistema ONU, e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), de sua "disposição a cooperar em uma investigação imparcial".

Nesta segunda, Londres ordenou que os aviões britânicos evitem o espaço aéreo de Belarus. A companhia escandinava SAS e a companhia regional Air Baltic, com sede na Letônia, já haviam anunciado a adoção desta medida.

- "Terrorismo de Estado" -A UE e outros países ocidentais já adotaram várias sanções contra o governo de Lukashenko pela repressão brutal das manifestações da oposição, após sua polêmica reeleição para o sexto mandato em agosto do ano passado.

Ao lado de seu cofundador Stepan Putilo, Protasevich comandava até recentemente o canal Nexta, no aplicativo de mensagens Telegram, que estimulou e coordenou os protestos. Estas mobilizações foram o maior desafio ao governo de Lukashenko desde que ele assumiu o poder nesta ex-república soviética, em 1994.

O desvio do avião foi condenado com veemência na Europa. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou-o de "indigno e ilegal", a Polônia denunciou um "ato de terrorismo de Estado", e a França pediu uma "resposta forte e unida".

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) exigiu uma investigação sobre o "grave e perigoso incidente", enquanto o secretário de Estado americano, Antony Blinken, considerou a ação "impactante" por colocar em perigo "as vidas de 120 passageiros, incluindo cidadãos americanos".

Principal aliada de Belarus, a Rússia não mostrou preocupação, e a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, ironizou a indignação ocidental.

"Nos surpreende que o Ocidente considere 'surpreendente' o incidente no espaço aéreo de Belarus", afirmou Zakharova no Facebook, antes de acusar os países ocidentais de "sequestros, pousos forçados e detenções ilegais".

Com quase dois milhões de assinantes no Telegram, Nexta Live e seu canal irmão são meios de comunicação importantes da oposição e ajudaram a mobilizar os manifestantes.

No ano passado, Protasevich e Putilo foram incluídos na lista bielorrussa de "indivíduos envolvidos em atividades terroristas". Os dois foram acusados de provocar grandes distúrbios, um crime que pode ser punido com até 15 anos de prisão.

"É absolutamente óbvio que se trata de uma operação do serviço secreto para capturar o avião, com o objetivo de deter o ativista e blogueiro Roman Protasevich", afirmou no Telegram a líder da oposição no exílio Svetlana Tikhanovskaya.

A oposição afirma que Tikhanovskaya, que fugiu para a vizinha Lituânia após as eleições, venceu a disputa presidencial no ano passado.

- KGB a bordo -Um membro da equipe do Nexta, Tadeusz Giczan, afirmou no Twitter que representantes da Agência de Segurança de Belarus (KGB) estavam no voo de Protasevich.

"Quando o avião entrou no espaço aéreo de Belarus, os agentes da KGB iniciaram uma briga com a tripulação da Ryanair, insistindo em que havia um IED (artefato explosivo improvisado) a bordo", disse.

O diretor-executivo da Ryanair, Michael O'Leary, afirmou que, aparentemente, agentes da KGB bielorrussa estavam no avião e que também desembarcaram em Minsk.

"Acredito que esta é a primeira vez que acontece em uma companhia aérea europeia", disse O'Leary à rádio irlandesa Newstalk.

A companheira do opositor, Sofia Sapega, uma cidadão russa e estudante de Direito na Universidade Europeia de Humanidades (EHU) da Lituânia, foi detida ao lado de Protasevich, confirmou a universidade nesta segunda-feira.

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