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Europa aumenta pressão sobre Belarus após desvio de avião e detenção de dissidente

24/05/2021 17h28

Minsk, Bielorrússia, 24 Mai 2021 (AFP) - Os países da União Europeia (UE) iniciaram uma ação coordenada nesta segunda-feira (24) para isolar e punir Belarus, depois do escândalo internacional causado pelo pouso forçado em Minsk de um avião civil no qual viajava um opositor que foi posteriormente detido.

Os chefes de governo dos 27 países da União Europeia abriram um encontro presencial em Bruxelas para discutir uma "resposta muito forte" a Minsk, nas palavras da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Em meio a fortes pressões, esta ex-república soviética, localizada entre a Rússia e a UE, e liderada desde 1994 por Alexander Lukashenko, rejeitou as críticas e afirmou ter agido legalmente, prometendo "transparência absoluta".

Belarus foi apoiada por seu principal aliado, a Rússia, cujo ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, considerou que Minsk agiu "razoavelmente" ao prometer "transparência total".

O voo da companhia Ryanair, saído de Atenas e com destino a Vilnius, capital da Lituânia, no qual viajava o jornalista dissidente Roman Protasevich, foi desviado no domingo (23) quando estava no espaço aéreo bielorrusso por uma suposta ameaça de bomba, que acabou sendo falsa.

Belarus também alegou, nesta segunda, ter recebido uma ameaça de "bomba que explodirá" no voo da Ryanair, assinada pelo Hamas, conforme e-mail atribuído ao movimento islamista palestino lido por uma autoridade do Ministério bielorrusso dos Tranportes.

Acompanhado por um avião de combate bielorrusso, a aeronave pousou na capital, Minsk, onde Protasevich, de 26 anos, que morava entre dois Estados da União Europeia, Polônia e Lituânia, foi detido ao lado de sua companheira.

Minsk garantiu ter informado a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), órgão do sistema ONU, e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), de sua "disposição em cooperar com uma investigação imparcial".

- Forte reação internacional -Nesta segunda, líderes dos 27 países da União Europeia reunidos em uma cúpula presencial em Bruxelas acordaram fechar o espaço aéreo do bloco a aeronaves de Belarus e pediram às companhias europeias para evitar o sobrevoo no espaço aéreo bielorrusso.

O desvio do avião foi condenado com veemência na Europa. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou-o de "indigno e ilegal", a Polônia denunciou um "ato de terrorismo de Estado", e a França pediu uma "resposta forte e unida".

Em Bruxelas, Von der Leyen disse que a ação se tratou de um "sequestro altamente inaceitável de um avião da Ryanair pelas autoridades bielorrussas, acrescentando que o presidente da Belarus, Alexander Lukashenko" e seu regime devem entender que haverá graves consequências.

Mais cedo, Londres já tinha ordenado aos aviões britânicos evitarem o espaço aéreo de Belarus. O grupo de aviação alemão Lufthansa, a companhia escandinava SAS e a companhia regional Air Baltic, com sede na Letônia, também anunciaram a adoção desta medida.

A chefe do governo alemão, Angela Merkel, disse que as explicações bielorrussas eram "completamente inverossímeis".

- "Pirataria" -A Irlanda, onde está sediada a empresa Ryanair, criticou o que chamou de um ato de "pirataria" estatal.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) exigiu uma investigação sobre o "grave e perigoso incidente", enquanto o secretário de Estado americano, Antony Blinken, considerou a ação "impactante" por colocar em perigo "as vidas de 120 passageiros, incluindo cidadãos americanos".

Tanto os Estados Unidos quanto a UE exigiram a libertação de Protasevich, que Belarus havia acrescentado à sua lista de "pessoas envolvidas em atividades terroristas".

A UE e outros países ocidentais já adotaram várias sanções contra o governo de Lukashenko pela repressão brutal das manifestações da oposição, após sua polêmica reeleição para o sexto mandato em agosto do ano passado.

A ativista da oposição bielorrussa Svetlana Tijanovskaya, que vive no exílio na Lituânia, disse que "é absolutamente óbvio que esta é uma operação do serviço secreto para capturar o avião" e prender Protasevich.

O opositor está detido em Minsk e em um vídeo transmitido na noite de segunda-feira pela televisão pública bielorrussa afirmou que estava sendo bem tratado e que havia começado a "confessar sobre a organização de manifestações em massa".

bur-pop-ahg/bl/ap/mvv

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