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Bolsas de valores, alvos tentadores para os hackers

26/05/2021 14h33

Nova York, 26 Mai 2021 (AFP) - Alvos designados dos hackers, as bolsas de valores dos Estados Unidos buscam se proteger de ataques cibernéticos que podem abalar os circuitos financeiros mundiais, como aconteceu no recente hackeamento contra oleodutos que deixou milhares de pessoas sem gasolina nos Estados Unidos.

A maioria das principais bolsas de valores dos EUA reconhece a realidade da ameaça cibernética, mas se nega a divulgar detalhes que revelem sua estratégia.

"A resiliência tecnológica e operacional está no centro de tudo o que fazemos", disse à AFP um porta-voz da bolsa eletrônica Nasdaq.

A bolsa de Opções de Chicago (CBOE) reitera: "Levamos a cibersegurança muito a sério", mas não discutimos "em público suas ciberdefesas", disse um porta-voz.

"Trabalhamos constantemente, não só com as nossas equipes, mas também com os reguladores e outras plataformas, para garantir que os mercados estejam seguros", explicou Stacey Cunningham, presidente da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), em uma recente entrevista ao canal CNBC.

- Um precedente neozelandês -Em agosto passado, a bolsa neozelandesa NZX se viu obrigada a interromper suas operações várias vezes durante quatro dias, depois de um ataque que bloqueou sua plataforma e a sobrecarregou com os acessos.

O presidente da NZX, Mark Peterson, descreveu então o ciberataque como "um dos mais vastos, mais sofisticados e com maiores recursos já vistos na Nova Zelândia".

Nos Estados Unidos, nenhuma grande bolsa foi até agora alvo de um ataque semelhante, mas nas mais altas esferas se planeja como enfrentar um cenário catastrófico que desestabilizaria as bolsas e os grandes bancos.

Convidado ao programa "60 Minutes" do canal CBS no mês passado, Jerome Powell, o presidente do Federal Reserve, o banco central americano, estimou que os ataques cibernéticos representavam para o sistema financeiro mundial um risco muito mais sério do que uma nova crise de liquidez semelhante a de 2008.

"Há um cenário no qual uma empresa de serviços de pagamento deixa de funcionar ou o sistema de pagamentos não funciona mais. Os pagamentos não podem ser efetuados", disse Powell. "Em outro cenário, uma grande instituição financeira não teria mais a capacidade de garantir o monitoramento dos pagamentos que efetua".

- Motivações diversas -Os hackers buscam as bolsas de valores, onde todos os dias se trocam dezenas ou centenas de bilhões de dólares.

O método mais comum para extorquir consiste em usar um "ransomware", um programa malicioso que explora as falhas do sistema e só pode ser desbloqueado mediante pagamento de resgate.

A sede de dinheiro, porém, não é a única motivação dos hackers que querem invadir uma bolsa.

"Eles podem ganhar dinheiro, limitar a capacidade de seu alvo para realizar operações, roubar informações sensíveis ou arruinar uma reputação", explica Sean Cordero, especialista da empresa americana Netenrich, que oferece soluções em cibersegurança. "Ou então, pode ser tudo isso de uma vez".

A estratégia dos hackers também pode variar dependendo de seus objetivos.

"Se a meta for espionar ou se só estiverem interessados em coletar informação, terão todo o interesse em manter um perfil baixo e permanecer discretos para conservar um acesso o mais duradouro possível", destaca Alec Alvarado, do grupo californiano de redução de riscos digitais Dark Shadows.

Os especialistas estimam que, contra essa variedade de frequência e sofisticação da ameaça de hackers, as bolsas de valores devem investir maciçamente em sistemas elaborados de proteção.

dho/lbc/mr/lda/aa

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