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Libaneses protestam contra Banco Central ante forte depreciação monetária

26/06/2021 20h35

Beirute, 26 Jun 2021 (AFP) - Manifestantes libaneses tentaram invadir neste sábado (26) os escritórios do Banco Central em duas grandes cidades, informou a imprensa estatal, depois que a moeda local sofreu uma depreciação que atingiu um novo nível histórico no mercado negro.

A cotação da libra libanesa está oficialmente fixada a 1.507 por dólar desde 1997, mas a pior crise econômica em décadas provocou uma forte desvalorização do seu valor oficial.

No sábado, cambistas disseram à AFP que o valor alcançou entre 17.300 e 17.500 por dólar no mercado negro, embora alguns a cotassem em 18.000 nas redes sociais.

Diante disso, dezenas de libaneses revoltados tomaram as ruas da cidade de Trípoli (norte) para denunciar a desvalorização e as "difíceis condições de vida", reportou a Agência Nacional de Notícias (ANN).

Alguns manifestantes conseguiram passar dos portões da sede local do Banco Central, mas o exército os impediu de chegar ao prédio principal, segundo a ANN.

Alguns manifestantes atearam fogo à entrada de um gabinete governamental, observou um jornalista da AFP, enquanto outros tentavam forçar a entrada das casas de dois legisladores, mas foram detidos pelas forças de segurança.

Na cidade de Sidon, ao sul, os manifestantes tentaram invadir outra sede do Banco Central, mas foram repelidos pelas forças de segurança, de acordo com a ANN.

Também foram registrados protestos isolados na capital, Beirute, onde pequenos grupos de pessoas tomaram as ruas e queimaram pneus, observou um jornalista da AFP.

O Líbano sofre uma grave crise econômica desde o fim de 2019, que o Banco Mundial qualificou como uma das piores do mundo desde meados do século XIX.

O colapso da libra ocorre em um momento em que o país sofre com uma grave escassez de remédios e combustível, que são importados e cuja compra exige disponibilidade de moedas estrangeiras.

O país ficou sem um governo funcional desde a explosão maciça de agosto de 2020, em Beirute, que deixou mais de 200 mortos e provocou a renúncia de autoridades, deixando um vácuo de poder que não pôde ser preenchido devido às divisões na classe política do país.

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