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Mineradora Rio Tinto avaliará poluição em Papua Nova Guiné

21/07/2021 11h33

Port Moresby, 21 Jul 2021 (AFP) - A mineradora multinacional Rio Tinto aceitou investigar o legado ambiental e humano da gigantesca mina de Panguna, na ilha de Bougainville, em Papua Nova Guiné - anunciou a empresa anglo-australiana, acusada, entre outras coisas, de se isentar de sua responsabilidade de limpar os resíduos tóxicos.

A multinacional informou que abrirá uma investigação sobre esta mina de cobre e ouro. Centro da violenta guerra civil em Bougainville nas décadas de 1980 e 1990, esta mina continua poluindo os rios próximos mais de três décadas depois de seu fechamento, conforme denúncias de moradores locais.

Em 2016, a Rio Tinto cedeu o controle de suas ações na mina de Panguna para os governos de Papua Nova Guiné e de Bougainville. A população também acusa a mineradora de tentar evitar os custos de limpeza do local.

Panguna já foi a maior mina de cobre a céu aberto do mundo, representando, sozinha, até 40% das exportações de Papua Nova Guiné. Ficou em funcionamento de 1972 a 1989.

Seus danos ambientais causados e o benefício econômico nulo para os habitantes locais deflagraram fortes confrontos entre o Exército e os rebeldes separatistas. A guerra civil causou 20.000 mortes e ainda é o conflito mais violento no Pacífico, desde a Segunda Guerra Mundial.

- Identificar e avaliar os impactos -Pressionada por organizações de defesa dos direitos humanos, a Rio Tinto disse que buscará "identificar e avaliar os impactos" da mina.

"É um primeiro passo importante para a abertura de um diálogo com aqueles que foram afetados pelo legado da mina de Panguna", declarou o diretor-geral do grupo, Jakob Stausholm.

"Levamos este assunto muito a sério e estamos decididos a identificar e avaliar o papel que podemos ter tido em qualquer impacto negativo", acrescentou.

Em um primeiro momento, a Rio Tinto financiará um painel independente de especialistas internacionais para avaliarem o impacto. Este anúncio deve reunir as organizações que militam pela criação de um fundo de indenização para as vítimas e pela restauração dos lugares afetados.

O custo da limpeza da área é estimado em US$ 1 bilhão.

"É um dia muito importante", afirmou Theonila Roka Matbob, uma política local.

"Durante muitos anos, a mina de Panguna envenenou nossos rios com cobre. Nossas crianças estão doentes por causa da poluição", completou.

O Centro Jurídico para os Direitos Humanos de Melbourne, que recebeu as queixas de mais de 150 habitantes de Bougainville, viu neste anúncio "um avanço importante" e prometeu "garantir que a avaliação conduza a uma ação rápida da Rio Tinto para ser responsabilizada por seu legado desastroso na ilha de Bougainville".

Em 1998, um cessar-fogo foi alcançado e, em um referendo realizado em 2019, quase a totalidade dos eleitores (98%) desta ilha do Pacífico se declarou a favor da independência. Bougainville desfruta de autonomia desde 2005.

Seus líderes estabeleceram o ano 2027 como prazo para alcançar a independência total e abandonar Papua Nova Guiné.

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