PUBLICIDADE
IPCA
0,87 Ago.2021
Topo

Variante delta causa queda acentuada de criação de empregos nos EUA

03/09/2021 12h38

Washington, 3 Set 2021 (AFP) - O ritmo de criação de empregos nos Estados Unidos caiu fortemente em agosto, um novo golpe para o presidente Joe Biden, já enfraquecido pela crise afegã, mas também um novo argumento a favor de seus planos de investimento.

No mês passado, apenas 235 mil postos de trabalho foram criados, três vezes menos que os 750 mil esperados pelos economistas.

Esta forte desaceleração ocorre após dois meses de crescimento do emprego. Em julho, foram criados 1,1 milhão de postos de trabalho e, em junho, 962 mil, de acordo com dados revisados para cima publicados também nesta sexta-feira (3).

A criação mensal de empregos permite medir a recuperação econômica dos EUA.

O emprego é uma das prioridades de Biden, que espera que o Congresso adote seus gigantescos planos de investimento para garantir um crescimento econômico sustentável.

Nesta sexta, o democrata afirmou que a recuperação econômica dos Estados Unidos é "duradoura", apesar do freio na criação de empregos.

"O que estamos vendo é uma recuperação econômica que é duradoura e forte", disse o presidente em um discurso na Casa Branca. "O plano Biden está funcionando", frisou.

No entanto, "a economia não pode se recuperar e reabrir completamente até que o vírus esteja contido, é devastador", tuitou a economista Diane Swonk, da Grant Thornton.

"Este é apenas o começo do efeito da variante delta", alertou seu colega Ian Shepherdson, da Pantheon Macroeconomics.

A variante delta faz com que os americanos hesitem em sair e consumir, ou a voltar ao trabalho.

Muitas empresas que planejaram retomar o trabalho presencial em setembro adiaram a data por vários meses.

O ressurgimento do vírus também gera o receio de novos fechamentos das escolas, que acabaram de reabrir, o que poderia afetar o retorno ao trabalho remunerado de muitas mães.

- Desigualdades -"Em agosto, houve ganhos notáveis de empregos em serviços profissionais e comerciais, transporte e armazenamento, educação privada, manufatura e outros serviços", afirmou o Departamento do Trabalho em um comunicado à imprensa.

Já o emprego varejista diminuiu.

A taxa de desemprego continuou caindo, até 5,2%, como se esperava, marcando 5,4% no mês passado.

Esta redução se explica, em parte, pelo fato de que muitas pessoas abandonaram o mercado de trabalho e não estão buscando mais trabalho ativamente.

As desigualdades continuam aumentando: enquanto a taxa de desemprego entre os americanos brancos diminui constantemente (hoje é de 4,5%), a dos negros e hispânicos se mantém alta e estagnada, em 8,8% e 6,4%, respectivamente.

Ainda faltam 5,3 milhões de empregos em comparação com fevereiro de 2020, pouco antes do início da pandemia nos Estados Unidos.

Paradoxalmente, os empregadores encontram dificuldades para achar candidatos para empregos com salários baixos, como garçons de restaurantes e bares, motoristas de ônibus escolares, ou especialistas em logística.

Essa escassez fez os salários aumentarem em agosto, pelo quinto mês consecutivo.

- Fim dos auxílios -Vários milhões de americanos ficarão sem seu seguro-desemprego a partir de segunda-feira (6).

As ajudas adicionais, fornecidas desde o início da pandemia, estão expirando, e os desempregados de longa duração e autônomos estão entre os que ficarão sem os subsídios.

O governo federal pediu que os estados onde a taxa de desemprego permanece alta mantenham o auxílio.

"Não devemos esperar um aumento imediato do emprego", o que afetará a renda e as despesas das famílias, com o risco de desacelerar o consumo, motor da economia americana, disse na quinta-feira a economista da Oxford Economics Nancy Vanden Houten.

É improvável que esses números ruins pressionem o Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) a reduzir seu apoio à economia.

Seu presidente, Jerome Powell, afirmou várias vezes que a redução da ajuda está condicionada a uma recuperação total do empego.

Para Ian Shepherdson, o Fed "pode ser facilmente obrigado a esperar até janeiro", ou pelo menos até dezembro.

Desde março de 2020, a instituição monetária comprou, todos os meses, títulos do Tesouro e outros títulos por US$ 120 bilhões.

jul/Dt/eb/dg/yow/aa/tt

PUBLICIDADE