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1,16 Set.2021
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Biden promove seu amplo plano de gastos nos Estados Unidos

16/09/2021 17h42

Washington, 16 Set 2021 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta quinta-feira (16) que confia em que o Congresso aprovará seu gigantesco plano de gastos para a classe média, que pode "mudar a trajetória" dos Estados Unidos.

Em um discurso na Casa Branca, Biden disse que reconstruir a economia americana após os confinamentos causados pela covid-19 é "uma oportunidade para ser a nação que sabemos que podemos ser".

Ao defender gastos de 3,5 trilhões de dólares (cerca de R$ 18 trilhões) em serviços sociais, como educação, cuidado infantil e defeitos da crise climática, Biden disse que os Estados Unidos "estão em um ponto de inflexão, um destes momentos nos quais as decisões tomadas podem mudar a trajetória do país nos próximos anos ou décadas".

Biden também defendeu uma série de aumentos de impostos dirigidos às corporações e aos muito ricos, e disse que as lacunas legais permitem que as entidades e os indivíduos mais ricos acabem pagando quase nenhum imposto de renda.

"Não quero castigar ninguém. Sou um capitalista... Tudo o que peço é que se pague a parte justa", disse. "Trata-se de que os super-ricos finalmente comecem a pagar o que devem".

O democrata aposta nesta mensagem de igualdade para que seu plano avance no Congresso, onde seu partido conta com uma estreita maioria perante uma oposição republicana que não demonstra nenhum desejo de acordo.

Apelidado por seus aliados de "Joe Classe Média", Biden quer gastar os US$ 3,5 trilhões em educação, atenção à infância e questões relacionadas com a crise climática, o pilar central de sua agenda nacional.

Esse montante se somaria a um plano de gastos de aproximadamente 1 trilhão de dólares (R$ 5,25 trilhões) em infraestrutura, como estradas e pontes, que os republicanos concordaram em apoiar, em um episódio extremamente raro de bipartidarismo e que Biden espera utilizar como prova de seu esforço para unir o país.

Criticado nos Estados Unidos e no exterior pela retirada caótica das tropas americanas do Afeganistão, onde encerrou uma guerra de 20 anos perdida contra os talibãs, Biden quer se concentrar nos temas internos de seu país e oferecer aos democratas uma importante vitória antes das eleições legislativas de meio de mandato, que acontecem em 2022.

Essa vitória também ajudaria a dar um impulso para sua própria Presidência, que depois de um início animador, parece afundar cada vez mais em um atoleiro devido às consequências da retirada no Afeganistão, a uma recuperação econômica complicada após o confinamento gerado pela pandemia e ao ressurgimento do coronavírus pela variante delta.

Com uma aprovação média de 46%, segundo o site FiveThirtyEight, que se dedica à análise de pesquisas de opinião, Biden é um dos presidentes mais impopulares da história moderna após quase oito meses de um primeiro mandato, um desempenho que, ainda assim, está muito acima do registrado pelo republicano Donald Trump no mesmo período, com 38,8% de aprovação.

- Negociações difíceis -Biden afirma que seu plano pretende fazer com que a economia volte a trabalhar para os americanos comuns, após anos de aumento da desigualdade social e deterioração de serviços básicos como a educação.

Como os democratas não podem se dar ao luxo de perder um voto sequer no Senado, que está dividido em 50-50, e com uma situação muito parecida na Câmara dos Representantes, onde a diferença entre os dois partidos é muito pequena, a agenda de Biden está pendendo por um fio.

Em prol de seus esforços, o governo divulgou nesta quinta-feira (16) uma carta de apoio firmada por 15 ganhadores do Nobel de economia em que afirmam que o plano de gastos sociais de Biden promoverá "o sucesso no século XXI".

Contudo, os republicanos não apenas se negam a aceitar o pacote bilionário, mas sentem que esta é uma enorme possibilidade de infligir uma derrota à Presidência de Biden antes das eleições de 2022.

Além disso, os republicanos ameaçam bloquear a aprovação do aumento da dívida nacional, o que pode levar o país a uma crise de financiamento.

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