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Dívida e reforma paralisam Congresso dos EUA e Biden entra em ação

28/09/2021 22h41

Washington, 29 Set 2021 (AFP) - Joe Biden cancelou no último minuto uma viagem a Chicago para se envolver na arena parlamentar, onde está em jogo o futuro de suas enormes reformas e a solvência dos Estados Unidos, em discussões tão tortuosas quanto difíceis.

O presidente dos Estados Unidos, que se orgulha de ser um excelente negociador após décadas de experiência no Senado, cancelou uma viagem que deveria ser dedicada a promover a vacinação contra a covid-19, segundo um funcionário da Casa Branca.

Em vez disso, Biden "permanecerá amanhã (quarta-feira) na Casa Branca para continuar trabalhando no avanço desses dois projetos de lei", um dedicado à infraestrutura e outro aos gastos sociais, completou. Ambos se tornaram os pilares de seu mandato.valor total havia sido inicialmente anunciado em quase US$ 5 trilhões, leva a uma batalha fratricida entre os democratas.

Os representantes da ala esquerda do partido pressionam pela aprovação simultânea dos dois textos, enquanto os centristas querem votar primeiro no projeto de infraestrutura, um investimento que tem mais consenso, para depois dedicar mais tempo ao componente social.

Como se não bastasse, o Congresso dos Estados Unidos enfrenta outra tarefa, muito diferente, mas intimamente relacionada ao debate sobre os planos de Biden: evitar nada menos que o primeiro "default" dos Estados Unidos, que pode ocorrer no dia 18 de outubro.

Em teoria, democratas e republicanos concordam: um calote americano causaria uma catástrofe financeira global com sérias repercussões para os americanos. No entanto, isso não impede que os conservadores bloqueiem qualquer movimento bipartidário sobre o assunto.

"É imperativo que o Congresso solucione rapidamente o teto do endividamento. Do contrário, os Estados Unidos entrarão em default pela primeira vez em sua história", alertou Janet Yellen, secretário do Tesouro, ante a comissão bancária do Senado.

Yellen afirmou que a partir de 18 de outubro "o Tesouro ficaria com recursos muito limitados, que se esgotariam rapidamente. É incerto se poderemos continuar honrando os compromissos da nação além dessa data."

"Esperar até o último minuto poderia causar prejuízos graves às empresas e à confiança dos consumidores, elevaria o custo dos empréstimos para os contribuintes e teria um impacto negativo na classificação de crédito americana nos próximos anos", insistiu.

"Falhar em agir rapidamente também pode resultar em problemas substanciais nos mercados financeiros, enquanto o aumento da incerteza pode exacerbar a volatilidade e minar a confiança dos investidores", acrescentou Yellen.

O Congresso tem até meia-noite de quinta-feira para aprovar o orçamento se quiser evitar um corte repentino dos fundos públicos.

- Perturbação nos mercados -Durante o governo de Barack Obama, a indecisão política no Congresso em relação a essa questão levou a agência de classificação Standard and Poor's a retirar a nota máxima "AAA" para a dívida dos Estados Unidos, o que abalou os mercados.

Wall Street fechou em forte baixa hoje e se encaminha para o pior mês em um ano em setembro, afetada principalmente pela alta das taxas dos títulos americanos, em um mercado que acompanha atentamente os acontecimentos no Congresso.

A Câmara dos Representantes, liderada pelos democratas, aprovou uma medida para manter o governo em funcionamento até 3 de dezembro, enquanto prossegue a discussão de um pacote de gastos sociais para o período de 10 anos. O Senado, dividido em 50-50 entre os dois partidos, recusou-se a iniciar o debate sobre o projeto.

O cenário mais provável é que os democratas revisem seu texto e removam o trecho sobre a suspensão do limite da dívida, o que lhes permitirá recuperar votos republicanos, a fim de tentar aprovar uma extensão do orçamento atual antes de sexta-feira e evitar um "shutdown". Paralelamente, poderiam tentar novamente conquistar o apoio dos republicanos para suspender o nível máximo de endividamento.

Se não puder contar com votos republicanos, o partido de Biden pode apostar nos votos próprios, fazendo uma manobra parlamentar que lhe permita aprovar por maioria simples. Mas isso levaria, potencialmente, várias semanas. Por isso, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer pareceu fechar essa porta hoje: "Esse caminho é muito arriscado para o país."

O limite da dívida, que apenas o Congresso pode aumentar, entrou em vigor em 1º de agosto. Ele impede que os Estados Unidos emitam nova dívida acima do máximo atual, de US$ 28,4 trilhões.

Este limite é frequentemente assunto de queda de braço política no Congresso. Desde a década de 1960, o teto da dívida foi aumentado ou suspenso cerca de 80 vezes. Nunca um partido bloqueou esta medida. É por isso que os democratas estão indignados com a recusa republicana de respeitar a tradição bipartidária.

vmt-jum/elc/hs/cs/gm/rsr/tt/fp/lb

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