PUBLICIDADE
IPCA
0,87 Ago.2021
Topo

Yellen alerta Congresso que EUA poderão esgotar recursos em 18 de outubro

28/09/2021 20h17

Washington, 28 Set 2021 (AFP) - Os Estados Unidos terão esgotado em 18 de outubro os recursos para se financiar, a menos que o Congresso aumente o limite da dívida, advertiu nesta terça-feira a secretária do Tesouro, Janet Yellen.

"É imperativo que o Congresso solucione rapidamente o teto do endividamento. Do contrário, os Estados Unidos entrarão em default pela primeira vez em sua história", alertou Yellen ante a comissão bancária do Senado.

Em carta ao Congresso, a secretária afirmou que a partir de 18 de outubro "o Tesouro ficaria com recursos muito limitados, que se esgotariam rapidamente. É incerto se poderemos continuar honrando os compromissos da nação além dessa data."

Diante dos senadores, Yellen citou o que chamou de "consequências desastrosas" para a economia americana de uma moratória. "Isso minaria a confiança no dólar como moeda de reserva", acrescentou.

A secretária insistiu em que a aprovação é crucial: "Esperar até o último minuto poderia causar prejuízos graves às empresas e à confiança dos consumidores, elevaria o custo dos empréstimos para os contribuintes e teria um impacto negativo na classificação de crédito americana nos próximos anos."

"Falhar em agir rapidamente também pode resultar em problemas substanciais nos mercados financeiros, enquanto o aumento da incerteza pode exacerbar a volatilidade e minar a confiança dos investidores", acrescentou Yellen.

- Perturbação nos mercados -

Wall Street fechou em forte baixa hoje e se encaminha para o pior mês em um ano em setembro, afetada principalmente pela alta das taxas dos títulos americanos, em um mercado que acompanha atentamente os acontecimentos no Congresso.

Os democratas associaram a ideia de suspender o limite da dívida à aprovação de um novo orçamento para o governo federal. O Congresso tem até a meia-noite de quinta-feira para aprovar o orçamento, se quiser evitar um corte repentino dos recursos públicos.

No Senado, a oposição republicana se recusa a aumentar ou suspender o teto da dívida, apesar de ter pressionado por esse tipo de medida quando país era presidido por Donald Trump. Nesta segunda-feira, os republicanos bloquearam uma tentativa dos democratas de aprovar a suspensão do limite de endividamento por 14 meses, até 2022.

A Câmara dos Representantes, liderada pelos democratas, aprovou uma medida para manter o governo em funcionamento até 3 de dezembro, enquanto prossegue a discussão de um pacote de gastos sociais para o período de 10 anos. O Senado, dividido em 50-50 entre os dois partidos, recusou-se a iniciar o debate sobre o projeto.

O cenário mais provável é que os democratas revisem seu texto e removam o trecho sobre a suspensão do limite da dívida, o que lhes permitirá recuperar votos republicanos, a fim de tentar aprovar uma extensão do orçamento atual antes de sexta-feira e evitar um "shutdown". Paralelamente, poderiam tentar novamente conquistar o apoio dos republicanos para suspender o nível máximo de endividamento.

Se não puder contar com votos republicanos, o partido de Biden pode apostar nos votos próprios, fazendo uma manobra parlamentar que lhe permita aprovar por maioria simples. Mas isso levaria, potencialmente, várias semanas. Por isso, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer pareceu fechar essa porta hoje: "Esse caminho é muito arriscado para o país."

O limite da dívida, que apenas o Congresso pode aumentar, entrou em vigor em 1º de agosto. Ele impede que os Estados Unidos emitam nova dívida acima do máximo atual, de US$ 28,4 trilhões.

vmt-jum/elc/hs/cs/gm/rsr/tt/fp/lb

PUBLICIDADE