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Preços da energia devem cair no começo de 2022, diz economista-chefe do FMI

12/10/2021 20h36

Washington, 12 Out 2021 (AFP) - A alta dos preços da energia pesa nos lares, mas não deve provocar uma crise como a dos anos 1970, e deve diminuir no começo de 2022, indicou nesta terça-feira à AFP a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath.

Os preços da energia despencaram no ano passado, em meio à paralisação de atividades imposta pela pandemia, mas 2021 trouxe um forte aumento da demanda, à medida que a economia mundial se recupera, destacou Gita.

No mercado da energia, no hemisfério norte um inverno longo e frio, seguido de um verão particularmente quente, gerou aumento da demanda e esgotamento dos estoques, especialmente das reservas de gás na Europa.

A oferta de muitos outros bens não se recuperou de forma tão rápida quanto a demanda, e foi dificultada, em parte, pela propagação da variante delta, que deixou os trabalhadores com medo de retornar ao trabalho e prejudicou as redes de abastecimento.

A escassez de mão de obra "alimenta a presão sobre os preços" em países como Alemanha, Estados Unidos e Japão, explicou Gita. "Estamos em uma situação difícil, em que observamos os preços subirem de maneira muito pronunciada". A pergunta-chave é se isso irá persistir, destacou.

- Apagões? -

Embora os preços da energia "vão permanecer elevados" nos próximos meses, "esperamos que voltem a baixar no fim do primeiro trimestre do ano que vem e no segundo trimestre", declarou. "Uma vez que passemos pelos meses de inverno (no hemisfério norte), estaremos melhor", disse Gita.

Os preços do petróleo dispararam nas últimas semanas, chegando a máximas de anos ontem, o que provocou a queda das principais bolsas de valores. Esse aumento dos preços da energia alimentou os temores de que a inflação possa crescer ainda mais e dificultar a recuperação econômica mundial da recessão provocada pela pandemia.

Gita Gopinath alertou que o clima vai influenciar, pois um inverno muito severo poderia provocar interrupções de energia de maior alcance e apagões, "que terão um efeito muito maior no mundo".

O pior cenário seria "um inverno extremamente rigoroso no hemisfério norte", o que aumentaria a demanda de energia, combinado com uma incapacidade dos produtores, incluindo a Opep+, de responder com um aumento da produção, o que poderia impulsionar a inflação, disse a executiva, que não espera uma crise como a do petróleo na década de 1970, uma vez que o mundo depende muito menos da energia em relação ao tamanho da economia.

"Seria necessário um aumento muito maior dos preços do gás, por exemplo, para haver uma espécie de evento estagflacionário", disse Gita, referindo-se à crise econômica de cinco décadas atrás, quando a inflação disparou devido aos altos preços do petróleo e o crescimento estagnou.

As previsões mais recentes do FMI apontam para um retorno da inflação aos níveis pré-pandêmicos em meados de 2022, mas alertam para uma "alta incerteza" e para riscos de alta nos Estados Unidos.

Dt/jul/hs/ad/mr/mvv/lb

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