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FMI e G20 abordam escassez de produtos e temores de inflação

13/10/2021 21h22

Washington, 14 Out 2021 (AFP) - Os líderes dos países industrializados se comprometeram nesta quarta-feira (13) em Washington a abordar os problemas de logística provocados pela pandemia, que alimentam a inflação e ameaçam o crescimento mundial.

Os gargalos nas cadeias de abastecimento são um tema central das reuniões do FMI e do Banco Mundial, das 20 maiores economias do mundo (G20) e do G7, que reúne as principais potências industrializadas.

Os problemas de abastecimento, provocados pelo aumento da demanda do transporte logístico em meio à recuperação da pandemia, combinada com a escassez de mão-de-obra, levaram o Fundo Monetário Internacional a rever para baixo as previsões de crescimento de vários países, entre eles Estados Unidos, China, Alemanha e Reino Unido.

Os ministros da Economia e presidentes dos bancos centrais do G20 afirmaram que irão "usar todas as ferramentas possíveis durante o tempo necessário" para minimizar o impacto da pandemia e evitar "qualquer suspensão prematura das medidas de apoio".

Alertaram, porém, que os problemas de abastecimento e a alta da inflação devem persistir.

O Banco Mundial estima que 8,5% do transporte mundial de contêineres está bloqueado nos portos ou seus arredores, o dobro do que em janeiro.

- "Pressões inflacionárias" -O diretor do banco central da Itália, Ignazio Visco, concordou com o FMI e outros que afirmaram que as pressões inflacionárias se devem principalmente a fatores transitórios, como o aumento da demanda, mas reconheceu que "isso pode demorar meses para desaparecer".

Os presidentes dos bancos centrais do G20 disseram que estão estudando a questão para ver se há "fatores mais estruturais em jogo" no pico de inflação mais alto do que o esperado e "se há algum componente que está começando a ser transitório, mas pode se tornar permanente", declarou Visco a repórteres.

O desafio é sustentar a recuperação com condições financeiras favoráveis, evitando um aumento permanente da inflação.

O comunicado do G20 disse que os bancos centrais "agirão conforme necessário" para tratar da estabilidade de preços "enquanto analisam as pressões inflacionárias onde elas são transitórias".

Mas o presidente do Banco Mundial, David Malpass, advertiu que alguns aumentos de preços "não serão transitórios".

"Levará tempo e a cooperação dos formuladores de políticas ao redor do mundo para resolvê-lo", declarou.

- Fator da vacina -A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que o atraso na vacinação contra a covid-19 nos países em desenvolvimento também é um fator que pesa.

Cerca de 58% da população nas economias avançadas já está completamente imunizada, em comparação com 36% nas economias emergentes e menos de 5% nos países pobres, segundo o FMI.

"Deveríamos nos preocupar com esta divergência", afirmou, "porque enquanto aumentar, este risco de interrupções nas cadeias de abastecimento globais será maior

O que se teme é que o aumento dos preços crie um círculo vicioso que obrigue as economias avançadas a elevar suas taxas de juros para conter a inflação, o que aumentaria os custos dos empréstimos para os países em desenvolvimento e atrasaria ainda mais sua recuperação.

Malpass também lamentou a situação nos países em desenvolvimento, que já enfrentam um panorama "sombrio" e um "trágico revés do desenvolvimento", causado pela pandemia que levou 100 milhões de pessoas à pobreza extrema e está causando problemas de dívida em muitos países.

- "Nunca mais" -Nos Estados Unidos, maior economia mundial, o estrago é tal que o presidente Joe Biden conseguiu fazer com que o porto de Los Angeles, destino de 40% dos contêineres que chegam ao país, e o sindicato portuário americano trabalhem mais noites e fins de semana para reduzir as filas que retardam a entrega de muitos produtos.

Outras empresas, inclusive Walmart, FedEx e UPS, também se comprometeram a trabalhar em horários estendidos, disseram funcionários da Casa Branca.

Biden, porém, disse que as políticas devem ser projetadas para reduzir a dependência de fontes únicas e aumentar a produção doméstica para evitar esses choques de oferta.

"Nunca mais nosso país e nossa economia serão incapazes de fabricar os produtos essenciais de que precisamos porque não temos acesso aos materiais de que precisamos", garantiu Biden. "Nunca mais teremos que depender muito de uma empresa ou de um país".

O mesmo conceito foi repetido pelo ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, que disse a repórteres durante as reuniões: "A resposta está em uma palavra: independência".

hs-ad/dga/mvv/am

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