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FMI: descontentamento social ameaça recuperação econômica no Oriente Médio

19/10/2021 12h45

Dubai, 19 Out 2021 (AFP) - A economia no Oriente Médio e no Norte da África está se recuperando, com os países do Golfo à frente, mas o aumento da tensão social ameaça as nações mais frágeis - alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta terça-feira (19) à AFP.

A região, que abrange os países árabes e o Irã, exceto Israel, viu o crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB) real se contrair 3,2% em 2020, devido à pandemia da covid-19 e à queda dos preços do petróleo.

Mas "desde o início do ano, vimos uma melhora da situação econômica", declarou o diretor do FMI para o Oriente Médio e a Ásia central, Jihad Azour, à AFP.

Graças às rápidas campanhas de vacinação, especialmente nos países ricos do Golfo, o crescimento do PIB pode chegar a 4,1% este ano, segundo esta instituição multilateral com sede em Washington, D.C.

"É claro que essa recuperação não é a mesma em todos os países. É desigual, devido à diferença nas campanhas de vacinação e incerta por causa das evoluções recentes", acrescentou, referindo-se ao aumento dos preços dos produtos básicos, à incerteza da situação financeira mundial e às mudanças geopolíticas.

Em seu último relatório sobre as perspectivas econômicas regionais publicado em outubro, o FMI destacou uma melhora para os países exportadores de petróleo, consequência do aumento dos preços desse produto.

Para os países de baixa renda, porém, a recuperação é muito mais incerta.

"Um aumento dos conflitos sociais" em 2021 "ainda pode se intensificar, devido às repetidas ondas de contágio (de covid-19), a condições econômicas desastrosas, ao desemprego elevado, ou aos preços dos alimentos", afirmou.

- Sete milhões de novos pobres -Nesses últimos anos, vários países foram palco de revoltas populares contra suas elites políticas, acusadas de incompetência e de corrupção, como no Líbano, Iraque e Irã.

O Líbano enfrenta uma crise especialmente grave, classificada pelo Banco Mundial como uma das piores desde meados do século XIX, com quase 80% da população abaixo do limite da pobreza. O FMI entrou em "negociações técnicas" com as autoridades libanesas, mas as discussões estão em ponto morto por conta da instabilidade política.

No nível regional, foram registrados em torno de sete milhões de novas pessoas vivendo na extrema pobreza no período 2020-21, em relação às projeções de antes da crise, afirmou o FMI.

Com o aumento dos preços do petróleo e dos produtos alimentares, a inflação na região alcançará 12,9% em 2021, comparado com 10,4% no ano passado.

"As desigualdades crescem. As pessoas pouco qualificadas, os jovens, as mulheres e os trabalhadores migrantes foram os mais afetados pela pandemia, assim como as pequenas empresas", segundo o FMI.

Se as grandes empresas estão voltando aos níveis de antes da pandemia, as pequenas estruturas vão demorar mais para se recuperarem.

"Cerca de 15% a 25% das empresas podem ter que se reestruturar, ou entrar em liquidação", alertou o Fundo.

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