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Biden comemora plano de gastos que ainda precisa do aval do Congresso

28/10/2021 17h37

Washington, 28 Out 2021 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, enalteceu nesta quinta-feira (28) o trilionário plano de gastos que - afirmou - dará um marco "histórico" à economia do país, mas que ainda depende do apoio de seus correligionários democratas.

Antes de viajar para a Europa para participar da cúpula do G20 e da COP26, Biden anunciou que está certo de receber o apoio para seus ambiciosos projetos de lei em discussão no Congresso: um de 1,75 trilhão de dólares para medidas sociais e ambientais e outro de 1,2 trilhão de dólares para a infraestrutura.

"Sei que temos um marco econômico histórico", disse Biden em discurso à nação da Casa Branca, pouco depois de se reunir com líderes democratas no Congresso.

"Todo mundo está a bordo", disse mais cedo a jornalistas. "É um bom dia".

Mas legisladores-chave democratas, cuja disputa sobre o conteúdo e os custos do projeto de lei de gastos sociais ameaçam destituir Biden de seu legado, deram sinais contraditórios.

Nancy Pelosi, aliada-chave de Biden e presidente da Câmara de Representantes, afirmou querer votar nesta quinta-feira o pacote de infraestrutura.

Isso isto é algo que os democratas mais radicais vinham evitando até agora, insistindo em que não vão apoiar a iniciativa sobre a infraestrutura a menos que suas prioridades sejam asseguradas no projeto de lei de gastos sociais.

Joe Manchin e Krysten Sinema, dois senadores democratas conservadores que consideram o componente de gastos sociais alto demais, deram sinais positivos sobre a proposta de Biden, mas não se comprometeram a apoiar o marco anunciado.

Outra figura importante, o senador de esquerda Bernie Sanders, disse ter percebido "grandes lacunas" no plano.

Mas Biden instou seu partido a finalmente deixar de lado as divisões e se unir.

"Passamos horas e horas e horas durante meses e meses trabalhando nisto", lembrou Biden. "Ninguém conseguiu tudo o que queria, inclusive eu, mas isso é transigir. Isso é consenso e é isso que eu sigo".

- Confiança em apoio total -Biden esperava obter uma votação no Congresso antes de viajar para Roma, para a cúpula do G20, e em seguida para a cúpula climática da ONU, em Glasgow.

Mas embora os democratas controlem as duas casas do Congresso, as margens são tão estreitas - de apenas um voto de vantagem no Senado e um punhado na Câmara baixa - que aprovar leis importantes é tortuoso.

Biden se frustrou muitas vezes quando Manchin e Sinema limitaram suas aspirações de gastos sociais no Senado, enquanto os democratas de esquerda na Câmara de Representantes bloquearam o projeto de lei de infraestrutura.

Assim, Biden baixou o sarrafo em grande medida, reduzindo quase à metade seu plano original de gastos sociais de 3,5 trilhões de dólares.

Mas até mesmo o marco do gasto reduzido representaria uma importante vitória legislativa um ano depois de Biden derrotar Donald Trump com a promessa de curar a alma dos Estados Unidos.

Apesar do contínuo debate democrata, um alto funcionário da Casa Branca, falando sob a condição de anonimato, disse: "O presidente acredita que este marco terá o apoio dos 50 senadores democratas e será aprovado na Câmara".

Se for promulgada, a nova proposta de Biden daria educação pré-escolar universal para crianças de três e quatro anos, ampliaria a cobertura de atendimento médico com o apoio do governo por pelo menos quatro anos e reduziria as emissões de gases estufa no país por uma década.

No entanto, ficaram de fora do novo marco prioridades progressistas relevantes, como oferecer 12 semanas de licença familiar paga, garantir estudos universitários comunitários gratuitos e reformar os altíssimos preços dos medicamentos com prescrição médica.

Os democratas radicais, inclusive a presidente da Bancada Progressista do Congresso, Pramila Jayapal, e a congressista por Nova York, Alexandria Ocasio-Cortez, disseram que precisavam ver o texto legislativo concluído antes de se comprometerem.

"Precisamos manter a promessa que foi feita. Temos sido muito claros", acrescentou a legisladora esquerdista por Minnesota Ilhan Omar.

O senador democrata por Nova Jersey, Bob Menéndez, disse querer ver mais detalhes e expressou sua decepção com o fato da dedução fiscal estadual e municipal e a reforma de preços dos medicamentos prescritos pareçam ter sido cortados.

"Vivi o bastante para saber que o que está nesta legislação é de importância crucial (...) Vejo o marco como uma oportunidade para chegar ao objetivo final", declarou à MSNBC.

sms-ft/ad/mr/rpr/tt/mvv

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