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Compradores negros são sub-representados em meio ao boom imobiliário dos EUA

11/11/2021 16h14

Washington, 11 Nov 2021 (AFP) - A pandemia mudou a natureza do negócio imobiliário nos Estados Unidos, mas uma constante que se manteve é que os afro-americanos não têm o mesmo acesso a uma casa própria que outros setores da população.

Os compradores negros representam apenas 6% de todos os proprietários de casas este ano, um número que mudou pouco nas últimas duas décadas, de acordo com um relatório divulgado nesta quinta-feira (11) pela Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês).

A dinâmica da pandemia permitiu que muitos americanos colocassem em dia seus empréstimos estudantis e economizassem. E à medida que o trabalho remoto se expande, mais compradores se mudam para ficar perto da família e dos amigos, em vez de se mudarem por seus empregos, segundo o perfil de compradores e vendedores de 2021 levantado pela NAR.

Os afro-americanos, porém, são mais sobrecarregados com empréstimos estudantis do que os brancos, embora tenham menos chance de obter ajuda familiar, indica o relatório.

"Seguimos vendo, de forma consistente, baixas taxas de compradores de minorias raciais", disse Jessica Lautz, da NAR, à AFP.

Conforme as taxas de juros baixas tornam as hipotecas mais acessíveis, a escassez - agora crônica - de casas à venda elevou os preços e deixou de fora alguns compradores de primeira viagem, de acordo com os dados.

Mesmo no sul do país, as pessoas negras representam apenas 9% dos compradores de casas, em uma região onde sua presença em alguns estados é mais do que o dobro da média nacional de 13%.

Os compradores afro-americanos, que têm mais do que o dobro de probabilidade de ter dívidas estudantis e em valores mais altos, também são rejeitados para hipotecas com o dobro de frequência dos candidatos brancos.

Por outro lado, o número de pessoas comprando imóveis pela primeira vez ficou abaixo da média histórica de 40%, segundo Lautz.

Com um estoque que já era baixo - exacerbado pela falta de trabalhadores e materiais e uma tendência dos construtores de se concentrarem em casas grandes e caras - os vendedores estão recebendo o preço que pedem por suas propriedades ou até mais, e mais pessoas conseguem pagar à vista.

O preço médio das casas era de 305 mil dólares, valor mais de 30 mil dólares acima do de 2020, de acordo com o relatório.

O presidente Joe Biden prometeu reduzir os preços das moradias como parte de seu plano de reconstrução "Build Back Better", que está em tramitação no Congresso, pedindo 150 bilhões de dólares para o "maior e mais abrangente investimento em moradias populares da história".

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