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Fed antecipa fim de compras de ativos e prevê três aumentos dos juros em 2022

15/12/2021 18h38

Washington, 15 dez 2021 (AFP) - O Federal Reserve (Fed, banco central americano) anunciou nesta quarta-feira (15) que encerrará antes do previsto sua compra de ativos, abrindo, assim, a porta a três aumentos de sua taxa de juros de referência em 2022, de olho no combate à inflação.

A inflação nos Estados Unidos ficará acima do previsto, em 5,3% em 2021 e 2,6% em 2022, informou o Fed ao final de sua última reunião de política monetária do ano.

Assim, para contrabalançar a inflação, porá fim à compra de ativos em março, três meses antes do anunciado inicialmente, o que lhe permitirá aumentar em seguida sua taxa de referência. Seus diretores concordaram por unanimidade em que os aumentos comecem em 2022 e que haja até três altas.

O aumento generalizado dos preços ao consumidor, mais persistente do que o esperado, afeta duramente as famílias americanas.

"Desequilíbrios entre oferta e demanda relacionados com a pandemia e a reabertura da economia continuaram contribuindo para níveis elevados de inflação", destacou o comitê monetário do organismo (FOMC) em um comunicado divulgado após dois dias de reuniões.

O presidente americano, Joe Biden, prometeu reverter o problema. Mas suas margens de manobra são limitadas. O aumento das taxas de juros, que contém a demanda ao aumentar os custos do crédito, é a ferramenta mais tradicional para conter as pressões inflacionárias.

- Antecipação -O Fed vai antecipar em alguns meses o fim de seu programa de compra de ativos, que começou a reduzir em novembro a partir dos 120 bilhões de dólares mensais, que injetava no mercado, e que agora encerrará em março ao invés de junho de 2022.

A instituição mostrou-se "disposta" a ajustar as compras de bônus e títulos se for justificado por mudanças nas "perspectivas econômicas", segundo o comunicado.

A entidade, que socorreu a economia em tempo recorde em 2020 em meio à pandemia, age agora para conter a inflação, que atingiu em novembro um máximo em quase 40 anos, situando-se em 6,8% em 12 meses.

A cifra supera com folga sua meta de 2%, considerada saudável para a economia.

O Fed destacou, ainda, que vai manter baixas suas taxas de juros até que o mercado de trabalho melhore.

Por enquanto, projeta taxas de desemprego de 4,3% para este ano e 3,5% em 2022, o mesmo nível de fevereiro de 2020, antes do início da pandemia.

- Taxas, inflação e PIB -O aumento das taxas de referência nunca tem um impacto imediato na inflação.

"A razão principal é que a taxa básica de juros se reflete depois de certo tempo nas taxas de crédito de curto e médio prazos", explica Gregory Daco, economista chefe da Oxford Economics.

O mercado se pergunta em que níveis estas taxas, que se encontram atualmente entre 0 e 0,25%, vão subir.

Por outro lado, segundo as novas projeções do Fed, o crescimento do PIB em 2021 chegará a 5,5% contra 5,9% em setembro.

Powell mostrou-se otimista nesta quarta-feira sobre o crescimento econômico nos Estados Unidos em 2021.

"A atividade econômica está no caminho de se expandir em um ritmo robusto este ano, refletindo os progressos da vacinação e a reabertura da economia", afirmou durante coletiva de imprensa.

- Dinheiro demais? -Biden, cuja popularidade está particularmente em baixa, é acusado pela oposição republicana, e inclusive por alguns democratas, de alimentar a inflação, injetando liquidez demais na economia.

Em março passado, ele promulgou um plano de emergência de 1,9 trilhão de dólares, depois dos US$ 3,6 trilhões já injetados em 2020.

Em meados de novembro, sancionou um plano de infraestrutura de 1,2 trilhão de dólares e espera que o Congresso aprove outro plano de reformas sociais e ambientais de 1,8 trilhão de dólares.

Para os republicanos, é demais. Para o governo, o fato de os planos abarcarem uma década é um contrapeso a qualquer efeito sobre os preços. O governo chegou, inclusive, a qualificá-los de anti-inflacionários.

Dt-jul/vmt/mr/dga/mvv

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