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Lítio de Portugal, possível condutor da revolução do carro elétrico na Europa

21/12/2021 07h06

Lisboa, 21 dez 2021 (AFP) - A agência reguladora do meio ambiente de Portugal decidirá no próximo ano se a Europa terá uma grande reserva de lítio, um dos elementos cruciais na corrida global para a eletrificação da indústria automobilística.

Especialistas acreditam que Portugal abriga a maior reserva deste mineral da Europa. Ao lado do níquel e do cobalto, o lítio é uma matéria-prima preciosa, imprescindível na produção de baterias elétricas para veículos.

A demanda está no auge, enquanto as montadoras tentam produzir carros com baixas emissões de poluentes e os governos atuam para acabar com os veículos que usam combustíveis fósseis, em uma batalha contra a mudança climática.

Mas as minas de lítio ficam principalmente na Austrália e a América do Sul, e a China é o país que controla a cadeia de distribuição. As reservas portuguesas representam uma oportunidade para reduzir a dependência europeia de outras potências.

- A febre do lítio -A empresa de petróleo portuguesa Galp Energia e a produtora sueca de baterias elétricas Northvolt assinaram um acordo para construir uma das maiores refinarias de lítio da Europa.

A um custo avaliado de 700 milhões de euros (787 milhões de dólares), a instalação no norte de Portugal permitiria o processamento de material suficiente para produzir baterias para 700.000 veículos, anualmente, até 2026.

Para isto contam com o fornecimento da empresa britânica Savannah, que afirma possuir uma das maiores reservas de lítio da Europa ocidental no nordeste de Portugal e aguarda a aprovação da agência reguladora.

O grupo português Lusorecursos também apresentou um estudo de impacto ambiental para abrir uma segunda mina nesta região, que teria sua própria refinaria.

A "febre pelo ouro branco" do lítio em Portugal acontece depois que o grupo canadense Rock Tech Lithium decidiu investir 470 milhões de euros (US$ 530 milhões) em uma unidade de lítio na Alemanha a partir de 2024.

Todos os projetos buscam estimular na Europa as reservas independentes de um recurso estratégico do qual a China controla mais de 40% da produção mundial e quase 60% da capacidade de refino global.

A Agência Internacional de Energia calcula que a demanda por esse recurso aumentará 42% entre 2020 e 2040, em parte estimulada pelo esforço de eletrificação da indústria automotiva.

O aumento da demanda é acompanhado de mais investimentos em tecnologia para melhorar as capacidades de produção. Este mês, por exemplo, a empresa químico portuguesa Bondalti anunciou um acordo com grupos australianos para testar um novo método de refino do lítio extraído da América do Sul.

- Demanda crescente -O ministro português do Meio Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, celebrou o bom momento e afirmou que o governo baseia a estratégia industrial nos recursos naturais de Portugal.

No entanto, a licitação atrasada para os direitos de prospecção de oito depósitos potenciais não acontecerá antes das eleições legislativas de 30 de janeiro, disse.

Também será necessário esperar até o início de 2022 pelo veredicto da agência reguladora portuguesa sobre a mina da Savannah.

Embora pareça paradoxal, a extração desse recurso essencial para a transição ecológica também gera preocupações ambientais.

"A exploração do lítio não pode virar uma estratégia nacional que nos permita extraí-lo de qualquer forma e a qualquer preço", disse Nuno Forner, da ONG ambientalista Zero.

O ativista não descarta uma decisão "surpresa" da agência reguladora, mas espera a aprovação do projeto com certas condições.

Em Covas do Barroso, cidade remota onde fica a mina de lítio da Savannah, o projeto provoca preocupação.

"Já sabemos que são os poderes político e econômico que decidem", disse Nelson Gomes, presidente de um grupo local contrário ao projeto.

Para ele, a reserva "destruirá terra agrícola, desviará riachos e vai criar pilhas de dejetos".

O diretor executivo da mineradora, David Archer, garante que a empresa contempla 238 medidas para "eliminar ou minimizar" o impacto do projeto, com um investimento de 15 milhões de euros (17 milhões de dólares).

tsc/imm/dbh/zm/fp

GALP ENERGIA

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