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Mulheres, juventude e diversidade no futuro gabinete de Boric no Chile

21/01/2022 20h07

Santiago, 21 Jan 2022 (AFP) - O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, nomeou nesta sexta-feira (21) o ex-presidente do Banco Central Mario Marcel como futuro ministro da Fazenda, e a ex-presidente do Colégio Médico Izkia Siches no Interior, ao apresentar um gabinete formado em sua maioria por mulheres e de grande diversidade política.

Com essa equipe de 24 ministros, dos quais 14 são mulheres e um terço independente, Boric busca ultrapassar os limites de sua coalizão Apruebo Dignidad - que reúne o Frente Amplio e o Partido Comunista - para tentar alcançar maiorias no futuro Congresso, dividido quase em partes iguais entre as forças de esquerda e direita.

"Nos acompanham nessa equipe de ministros e ministras pessoas de diversas origens e partidos; um gabinete diverso, um gabinete com maioria de mulheres (...), com presença de regiões, intergeracional, com pluralidade política, com diversos pontos de vista e com uma forte presença também de independentes e de militantes de partidos políticos", disse Boric na cerimônia que aconteceu no pátio do Museu Histórico Natural de Santiago.

Marcel, independente vinculado ao Partido Socialista, de 62 anos, renunciou na quinta-feira ao Banco Central. Antes, ocupou diversos cargos nos governos de centro-esquerda entre 1990 e 2008, e era o preferido dos mercados, que veem em sua nomeação um gesto de moderação nas reformas econômicas que Boric busca implantar.

"Minha função específica será ajudar a criar as condições econômicas, financeiras e operacionais para que os compromissos estabelecidos com os cidadãos possam ser cumpridos" e formar uma equipe para conseguir "uma saída ordenada para a crise que o país viveu nos últimos anos", afirmou Marcel em uma carta divulgada pela equipe de imprensa de Boric.

Izkia Siches, futura ministra do Interior ou chefe de gabinete, tem 35 anos, é médica cirurgiã da Universidade do Chile e em 2017 se tornou a primeira mulher a chegar à presidência do Colégio Médico.

"A visão geral é positiva em termos de romper os muros que o presidente precisa romper para um projeto majoritário com apoio parlamentar", disse à AFP Marcelo Mella, cientista político da Universidade de Santiago, sobre a formação do gabinete.

A Apruebo Dignidad tem uma representação de 24% na Câmara dos Deputados, portanto, precisou ampliar seu apoio entre os partidos tradicionais de centro-esquerda.

"É um sinal político, de construção de uma correlação de forças mais robusta, que permite ao governo tramitar projetos no Congresso com menores custos de transação", acrescentou Mella.

O gabinete incluirá também Giorgio Jackson e Camila Vallejo, ex-líderes estudantis e deputados, que junto a Boric lideraram os protestos de 2011 para exigir reformas educativas. Jackson será ministro da Secretaria-Geral da Presidência e Vallejo, ministra porta-voz.

Na lista está ainda a neta do ex-presidente socialista Salvador Allende (1970-1973) Maya Fernández, que se encarregará do Ministério da Defesa.

Para a pasta das Relações Exteriores, o presidente eleito nomeou Antonia Urrejola, advogada de 53 anos, que presidiu em 2021 a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos. Ela adiantou que sua gestão será marcada por "mais multilateralismo, cooperação e diálogo".

A média de idade dos integrantes do novo gabinete é de 49 anos. A mais jovem, com 32 anos, é Antonia Orellana, que estará à frente do Ministério da Mulher a partir de 11 de março, quando assumir o novo governo.

- Mudanças estruturais -Na economia, Marcel enfrentará uma desaceleração depois de crescer perto de 12% em 2021, impulsionada por um forte aumento do consumo após as ajudas sociais fornecidas pelo governo de Sebastián Piñera e os saques dos fundos de pensão aprovados pelo Congresso.

O novo ministro deve implementar a reforma tributária que Boric prometeu, para arrecadar até 5% do PIB, que busca destinar para financiar projetos sociais.

Sua nomeação é um aceno para o mercado, pois é um homem "que tem laços muito amplos e transversais, que tem credibilidade junto da direita e do setor privado, o que é um bom ponto de partida para tomar as decisões tão difíceis que o presidente terá que tomar este ano", estimou Mella.

Assim como em seu discurso de vitória na noite de 19 de dezembro, quando venceu o ultraconservador José Antonio Kast nas urnas com 55,8% dos votos, Boric prometeu realizar transformações sociais de forma gradual.

"Vamos fazer todas as mudanças que propusemos passo a passo, porque estamos convencidos de que a grande maioria dos chilenos e chilenas exige mudanças estruturais", disse Boric.

Ele também definiu os três eixos de seu futuro governo: a gestão da pandemia, estimular o crescimento econômico com inclusão social e garantir o sucesso da Convenção Constitucional que elabora uma nova Carta Magna para substituir a herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), que concluiria seus trabalhos no meio deste ano.

"Precisamos que conversem e que escutem muito, que escutem o dobro do que falam", pediu Boric à equipe que apresentou nesta sexta-feira.

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