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Argentina alcança novo acordo creditício com o FMI

28/01/2022 21h07

Buenos Aires, 29 Jan 2022 (AFP) - A Argentina anunciou nesta sexta-feira (28) um novo acordo de crédito com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o que lhe permitirá ganhar tempo para pagar a dívida de mais de 44 bilhões que deve reembolsar entre 2022 e 2023, embora ainda faltem rodadas de negociações para detalhar o programa.

"Tínhamos uma dívida impagável que nos deixava sem presente nem futuro e agora temos um acordo razoável que nos permitirá crescer e cumprir nossas obrigações com nosso crescimento", declarou, em discurso, o presidente de centro-esquerda Alberto Fernández.

Trata-se de um acordo com facilidades estendidas de 44,5 bilhões de dólares, que substituirá o stand-by tomado em 2018 pelo mesmo montante.

A diferença entre os dois está nos prazos de pagamento, pois enquanto o stand-by concentrava os vencimentos entre 2022 e 2024, o novo acordo ampliará estes prazos para o período de 2026 a 2032.

Em mensagem em sua conta no Twitter, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, se disse "animada" com os "avanços alcançados em políticas-chave para um programa que enfrente os desafios da inflação e um crescimento mais sustentável e inclusivo".

Para entrar em vigor, o acordo deve ser ratificado pelo Congresso argentino e pela diretoria-executiva do FMI. O ministro da Economia, Martín Guzmán, também afirmou que "ainda é preciso trabalhar nos memorandos de entendimento e isso levará algumas semanas".

Enquanto isso, a Argentina pagou nesta sexta-feira pouco mais de US$ 700 milhões, o primeiro vencimento de capital deste ano, confirmou Guzmán.

Os vencimentos seguintes devem ser financiados com os recursos do novo programa.

"A Argentina conseguiu hoje com o FMI o mesmo que em 2020 com os credores privados: chutar a bola para a frente. A única grande diferença é que o mesmo FMI vai refinanciar os pagamentos", disse à AFP o analista econômico Sebastián Maril.

"Pode-se comemorar hoje, mas nossos problemas serão poder cumprir as metas e ver como pagamos todas as dívidas que chutamos", acrescentou.

- Redução do déficit -A Argentina prometeu reduzir seu déficit fiscal para 0,9% do Produto Interno Bruto em 2024, com metas de 1,9% em 2023 e 2,5% em 2022, informou Guzmán, em entrevista coletiva.

No ano passado, com crescimento econômico de 10%, o déficit foi de 3%.

Juan Mazzetti, um contador público de 27 anos, mostrou-se satisfeito de que o entendimento tenha sido alcançado, mas duvida de seu cumprimento.

"As dívidas têm que ser pagas. É algo que tinha que tirar porque vinham pagamentos muito fortes nestes dias, assim deu um alívio grande às finanças do país", disse à AFP no distrito financeiro de Buenos Aires. No entanto, sobre a redução do déficit, avaliou que "não vai ser cumprido, como sempre aconteceu".

O acordo também prevê um crescimento em 2022 de cinco bilhões de dólares em reservas internacionais, que atualmente somam pouco mais de 38 bilhões, segundo Guzmán.

"Os regulamentos sobre a conta financeira continuarão", disse ele. Na Argentina, o controle cambial está em vigor desde meados de 2019.

Os mercados reagiram favoravelmente aos anúncios e a taxa de câmbio paralela passou de 221 pesos por dólar há dois dias para 212 pesos nesta sexta. A bolsa de Buenos Aires fechou em alta de 2,76% e ações argentinas em Wall Street valorizaram-se entre 7% e 9%.

Segundo o FMI, "a via fiscal acordada melhoraria de forma gradual e sustentável as finanças públicas e reduziria o financiamento monetário". O acordo incluirá uma "estratégia" para diminuir gradualmente os subsídios à energia.

Também houve um entendimento "sobre o âmbito para a implementação da política monetária como parte de uma abordagem múltipla para enfrentar a inflação alta e persistente", de 50% ao ano, informou o Fundo em um comunicado.

- 'Negociações dificílimas' -O governo Fernández iniciou formalmente suas negociações com o FMI em agosto de 2020. "As negociações realmente foram dificílimas", disse o ministro Guzmán. "Houve um trabalho político e técnico muito forte", acrescentou.

"O acordo é uma boa notícia para a Argentina e o FMI. A ninguém convinha uma briga longa e dura", comentou à AFP em Washington Benjamin Gedan, do Wilson Center.

O novo programa terá dez revisões e duração de dois anos e meio quanto às políticas econômicas. Os vencimentos começarão quatro anos depois do primeiro desembolso e terminarão dez anos depois, destacou.

Em 2020, após reestruturar cerca de 66 bilhões de dólares em dívidas com credores privados internacionais, o governo iniciou negociações com o FMI para substituir o acordo de stand-by de 2018 por um acordo de facilidade estendida que estendesse os prazos de pagamento.

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