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Famílias de desaparecidos no naufrágio de pesqueiro espanhol pedem que buscas continuem

17/02/2022 14h44

Marín, Espanha, 17 Fev 2022 (AFP) - Familiares dos doze tripulantes desaparecidos no naufrágio de um pesqueiro espanhol perto de Terranova, no Canadá, exigiram nesta quinta-feira (17) a retomada das buscas até que apareçam todos os corpos, após a decisão das autoridades canadenses de suspender as operações.

O "Villa de Pitanxo", uma embarcação de 50 metros de comprimento com base no pequeno porto de Marín, na Galícia (noroeste da Espanha), afundou a 450 km da costa da ilha canadense de Terranova, nas águas glaciais do Atlântico norte.

Dos 24 marinheiros a bordo, apenas três puderam ser resgatados com vida. Nove corpos foram recuperados e outros doze tripulantes continuam desaparecidos após este naufrágio, a maior tragédia da indústria pesqueira espanhola em quase 40 anos.

"É preciso continuar procurando os corpos, não se pode deixar 12 pessoas jogadas no mar assim", pediu à imprensa em Marín, John Okutu, tio de Edemon Okutu, um dos tripulantes ganeses do barco, ainda desaparecido.

"Se o Canadá não puder continuar procurando, os espanhóis têm que ir em seguida", acrescentou.

"Continuem procurando por ele, por favor", implorou ao seu lado Kevin Franco, filho de Rogelio Franco, um dos marinheiros peruanos que trabalhavam no "Villa de Pitanxo".

As autoridades canadenses anunciaram nesta quarta-feira, através do porta-voz do centro de resgate e coordenação, Brian Owens, que tinham concluído as operações de localização às 16h (19h de Brasília), "depois de uma busca exaustiva durante mais de 36 horas", em uma área de cerca de 1.700 quilômetros quadrados onde não encontraram nada.

Segundo o ministério espanhol de Assuntos Exteriores, a decisão do Canadá deveu-se "às condições meteorológicas desfavoráveis com ondas de até dez metros, ventos fortes, baixas temperaturas perto de zero grau e uma visibilidade muito reduzida".

- Madri em contato com Ottawa -Luis Planas, ministro da Pesca, disse a jornalistas que o governo espanhol está "em contato estreito com as autoridades canadenses com vistas a aproveitar qualquer janela de oportunidade que pudesse existir" para continuar com as buscas.

O presidente da Galícia, Alberto Núñez Feijóo, disse por sua vez que sua região apoia "ir com meios próprios ou alheios e tentar ampliar um pouco os trabalhos de buscas".

O ministro Planas presidiu à tarde uma reunião no porto de Marín com as autoridades locais e familiares dos mortos e desaparecidos, que insistiram na continuidade da operação.

Um pesqueiro espanhol e um português, que participaram do dispositivo, se dirigem agora para o porto de Saint John's de Terranova com "os três sobreviventes (dois espanhóis e um ganês)" e corpos recuperados, segundo o ministério das Relações Exteriores. Sua chegada está prevista para a primeira hora da sexta-feira.

O naufrágio do "Villa de Pitanxo" é, segundo o governo, a pior tragédia do setor pesqueiro espanhol desde o naufrágio do navio "Islamar III", que deixou 26 mortos nas águas do arquipélago espanhol das Canárias, em 1984.

du/mg/mb/mvv