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AIE teme forte impacto da guerra na Ucrânia na oferta mundial de petróleo

16/03/2022 09h55

Paris, 16 Mar 2022 (AFP) - A Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou nesta quarta-feira (16) que teme um forte "impacto" no fornecimento mundial de petróleo como resultado das sanções à Rússia pela invasão da Ucrânia, e estimou que o petróleo russo não pode ser substituído de imediato.

"A perspectiva de perturbações em larga escala na produção russa ameaça criar um choque global no fornecimento de petróleo", escreveu a agência, que assessora os países desenvolvidos em política energética, em seu relatório mensal.

A guerra na Ucrânia está criando grande volatilidade nos mercados, com preços se aproximando de recordes - o petróleo Brent atingiu US$ 139,13 em 7 de março -, mas que desde então baixaram.

A Rússia é o maior exportador mundial de petróleo e produtos refinados para o resto do mundo, com 8 milhões de barris por dia (mbd).

Os Estados Unidos e o Reino Unido adotaram um embargo ao petróleo russo devido à guerra na Ucrânia, mas na União Europeia (UE) o setor energético exclui, por enquanto, essa opção.

A AIE observa que muitas empresas se afastaram da Rússia por conta própria e calcula que a partir de abril 3 mbd de petróleo russo pode não estar disponível.

- "Transição" -Diante da escassez, "há poucos indícios de um aumento da oferta do Oriente Médio ou de uma realocação significativa dos fluxos comerciais", observa a AIE.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e os seus aliados no quadro da OPEP+, que inclui a Rússia, recusam atualmente o aumento da produção para facilitar o mercado, mantendo um aumento gradual de 400.000 barris por dia por mês.

Países com capacidade de produção adicional, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, parecem não querer aumentar sua produção, e o retorno do Irã ao mercado de petróleo, que depende de um possível acordo internacional sobre seu programa nuclear, não será imediato.

A AIE estima que as exportações do Irã podem aumentar cerca de 1 mbd em seis meses, um número insuficiente para compensar a perda de petróleo russo. A Venezuela - com a qual Washington retomou o diálogo - só poderia dar uma contribuição "modesta" caso as sanções dos EUA fossem suspensas.

Fora da OPEP+, outros países provavelmente aumentarão sua produção, como Brasil, Canadá, Estados Unidos e Guiana, mas o potencial é "limitado" no curto prazo.

Os Estados Unidos, em particular, têm potencial com suas reservas de óleo de xisto, mas devem levar meses para se materializar.

Quanto à demanda, a AIE revisou sua projeção para baixo e agora deve crescer 2,1 mbd este ano, para um total de 99,7 mbd.

A AIE, criada em 1974 para lidar com a crise do petróleo, indicou que publicará esta semana recomendações para reduzir a demanda no curto prazo.

Em alguns países existem propostas para diminuir o limite de velocidade nas estradas, reduzir o preço do transporte público ou recorrer ao teletrabalho.

A agência destaca, no entanto, que apesar do grande desafio atual para os mercados de energia também existem "oportunidades" para acelerar a transição energética em detrimento do petróleo.

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