PUBLICIDADE
IPCA
1,06 Abr.2022
Topo

UE e EUA anunciam medidas para reduzir dependência europeia do gás russo

25/03/2022 09h59

Bruxelas, 25 Mar 2022 (AFP) - Estados Unidos e União Europeia (UE) anunciaram, na quinta-feira (25), medidas para reduzir a dependência do bloco europeu em relação ao gás russo, enquanto a Alemanha antecipou que quer prescindir rapidamente do carvão e do petróleo comprados da Rússia, em virtude da invasão da Ucrânia.

De acordo com um anúncio feito nesta sexta-feira (26), os EUA "trabalharão com sócios internacionais e se esforçarão para garantir um volume de gás natural liquefeito (GNL) para o mercado da UE de, pelo menos, 15 bilhões de metros cúbicos em 2022".

Além desse aporte para o mercado energético europeu, um grupo de trabalho com representantes de Washington e Bruxelas se concentrará na diversificação do abastecimento de gás para a UE, muito dependente das compras da Rússia - especialmente no caso da Alemanha.

A forte alta dos preços da energia elétrica fez acender, já no final de 2021, os sinais de alerta na UE, ainda que esse quadro tenha se agravado, dramaticamente, por causa da invasão russa da Ucrânia há um mês.

Estima-se que a União Europeia compra anualmente 150 bilhões de metros cúbicos de gás russo, pouco mais de 40% das importações europeias desse combustível, configurando um elevado grau de dependência que o bloco agora busca romper. No primeiro semestre de 2021, o gás americano representou apenas em torno de 6% das importações do Velho Continente.

O grupo anunciado hoje terá, entre seus objetivos, "garantir a segurança energética para a Ucrânia e para a UE" para o próximo inverno boreal (verão no Brasil).

Nesta sexta, em Bruxelas, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, denunciou que seu homólogo russo, Vladimir Putin, "usou os recursos energéticos de seu país (...) para manipular seus vizinhos".

Por isso, acrescentou, os Estados Unidos bloquearam todas as importações de hidrocarbonetos procedentes da Rússia, apoiando-se em sua condição de país exportador de energia. Biden disse, no entanto, "entender" que outros países não tenham condições de fazer o mesmo.

"Estados Unidos e União Europeia vão trabalhar juntos e tomar medidas concretas para reduzir a dependência do gás natural" e maximizar o uso de energias renováveis, completou Biden.

Um funcionário de alto escalão do governo americano disse à imprensa que "está claro" que Putin utiliza "a energia como uma arma para forçar e desestabilizar a Europa. E o grupo que anunciamos hoje vai minar sua capacidade de fazer isso".

- Alemanha anuncia passos concretos -Nesta sexta, a Alemanha anunciou alguns passos para se livrar de sua dependência do carvão e do petróleo provenientes da Rússia até o fim deste ano e disse que espera romper essa necessidade em relação ao gás até meados de 2024.

"Foram dados os primeiros passos importantes para nos livrarmos da influência das importações russas", declarou o ministro alemão da Economia, Robert Habeck, em uma coletiva de imprensa.

Habeck informou que, até o meio de 2022, as importações de petróleo russo serão reduzidas pela metade, com uma projeção de independência quase total até o fim deste ano. E, "daqui para o outono" boreal (primavera no Brasil), o país será "independente do carvão russo", acrescentou.

Desde o início da invasão russa à Ucrânia, multiplicam-se as pressões para que a UE adote sanções que afetem as exportações russas de hidrocarbonetos, mas essa ideia enfrenta resistências diante da ausência de um substituto imediato.

A dependência europeia do gás russo é tão profunda que as sanções da UE a bancos russos não incluem as entidades bancárias, nas quais os países do bloco efetuam os pagamentos por suas importações do combustível.

A situação se agravou ainda mais na quarta-feira (23), depois que Putin anunciou que seu país exigirá dos "países hostis" (em referência aos membrosda UE) que paguem suas compras de gás em rublos.

A Alemanha reagiu de imediato e com irritação ao anúncio, alegando que isso representará uma quebra dos contratos.

"Vamos discutir com nossos sócios europeus para decidir como responder a essa demanda", declarou Habeck.

ahg/es/mar/dd/tt