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Remessas à América Latina crescem 24% em 2021 por retomada nos EUA

30/03/2022 16h23

Washington, 30 Mar 2022 (AFP) - As remessas para a América Latina e o Caribe cresceram 24% em 2021, ainda no meio da pandemia, impulsionadas majoritariamente pela recuperação econômica nos Estados Unidos, origem da maior parte dos fluxos, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira (30).

O total de dinheiro enviado para casa por parte dos migrantes latino-americanos e caribenhos superou os 135 bilhões de dólares em 2021, segundo o relatório do Diálogo Interamericano, um centro de análise com sede em Washington.

Isso representa mais de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) de toda a região, e chega a superar 20% em muitos dos países menores.

Os autores do estudo, Manuel Orozco e Matthew Martin, indicam que há uma "ampla gama de fatores" associados a este aumento "excepcionalmente forte" do fluxo de remessas para a América Latina e o Caribe, que, em 2020, já tinham crescido 9% em comparação com 2019.

Entre esses fatores, os especialistas apontam o aumento da migração procedente da região, o crescimento da duração média de estada dos migrantes nos Estados Unidos (de 16 a 20 anos), e também a resposta dos migrantes aos desastres naturais em seus países de origem.

Apesar de 75% das remessas terem como origem os Estados Unidos, o relatório indica um crescimento "significativo" no mercado de transferências intrarregionais, em sintonia com a continuidade da migração para países como Chile, Colômbia, Costa Rica, Panamá, República Dominicana e, inclusive, o México.

Em 2021, houve uma expansão "significativa" do mercado de remessas intrarregionais, com mais transferências e mais dinheiro enviado, diz o estudo, que destaca, em particular, o envio de dinheiro ao Haiti por seus cidadãos que vivem no Chile, que cresceu mais de 50%.

O estudo, intitulado "Remessas familiares em 2021: o crescimento de dois dígitos é o novo normal?", também destaca mudanças nas formas de envio das remessas dos Estados Unidos para a América Latina e o Caribe.

Por um lado, o percentual de indivíduos que enviam dinheiro em espécie caiu para 75% em 2021. Em 2016, essa forma correspondia a 90%. Por outro lado, cresceu o uso de transferências digitais, com mais de 10 milhões de transações por mês.

O México é o país da América Latina e do Caribe que mais recebeu remessas em 2021 (cerca de 51,5 bilhões de dólares), seguido por Guatemala (por volta de 15,3 bilhões de dólares) e República Dominicana (aproximadamente 10,4 bilhões de dólares).

Contudo, o maior aumento de remessas em 2021 em comparação com 2020 foi em Guatemala (+35%), Honduras (+32%) e Equador (31%), diz o estudo, que cita dados dos bancos centrais dos países.

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