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Inflação se aproxima de 70% na Turquia e ameaça popularidade de Erdogan

05/05/2022 06h28

Istambul, 5 Mai 2022 (AFP) - A inflação se aproximou de 70% em abril na Turquia, de acordo com os dados oficiais anunciados nesta quinta-feira, o que derruba o poder aquisitivo das família e afeta as chances de reeleição do presidente Recep Tayyip Erdogan em 2023.

As promessas do governo e a redução do IVA para produtos de primeira necessidade anunciadas no início do ano não conseguiram conter o aumento dos preços, que aceleraram a 7,25% durante abril e alcançaram uma inflação em ritmo anual de 69,97%, a mais elevada desde fevereiro de 2002.

O aumento dos preços ao consumidor é contínuo há 11 meses e superou 61% em ritmo anual em março, consequência da desvalorização da lira turca e dos preços mais elevados da energia.

Apesar dos temores de uma inflação mais grave devido à guerra entre Ucrânia e Rússia, que exportam energia e cereais para a Turquia, o Banco Central não aumentou as taxas de juros, que permanecem estáveis em 14% desde o fim de 2021.

O presidente Erdogan, que considera que taxas de juros elevadas favorecem a inflação, ao contrário do que afirmam as teorias econômicas clássicas, obrigou de fato a instituição a reduzir as taxas de 19% para 14%.

A inflação está no centro do debate público na Turquia a 15 meses da eleição presidencial, prevista para junho de 2023, e a oposição acusa o Escritório Nacional de Estatística de subestimar a realidade.

Erdogan prometeu em janeiro devolver a inflação a valores inferiores a 10% "o mais rápido possível". Na semana passada, ele declarou que o índice "começará a desacelerar a partir de maio".

Uma hiperinflação prolongada pode afetar a popularidade do presidente, que conseguiu suas vitórias eleitorais nas últimas duas décadas com promessas de prosperidade econômica.

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