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Inquilinos se defendem do aumento dos aluguéis nos EUA

09/05/2022 10h58

Nova York, 9 Mai 2022 (AFP) - Antes do início de cada mês, Anh-Thu Nguyen e seus dois vizinhos de andar enviam seus cheques de aluguel para o proprietário, mas, alguns dias depois, recebem o envelope de volta pelo correio.

O estranho ritual começou logo depois que, em março de 2021, uma empresa imobiliária chamada Greenbrook Partners comprou o prédio do Brooklyn onde Nguyen mora.

A empresa informou aos moradores que eles teriam de desocupar seus apartamentos até 30 de junho. Alguns vizinhos se mudaram, mas Nguyen e inquilinos de outros quatro imóveis estão processando a Greenbrook. A imobiliária tem mais de 150 propriedades no Brooklyn e no Queens, em Nova York, compradas principalmente durante a pandemia da covid-19.

"Esta é minha casa há mais de 13 anos. É uma comunidade maravilhosa, e quero ficar aqui (...) também é a coisa certa a fazer", diz Nguyen, de 39 anos, advogada que trabalha para uma ONG.

Essa batalha ocorre quando a alta dos aluguéis se soma à disparada da inflação nos Estados Unidos, com experiências semelhantes se tornando mais frequentes na parte não regulamentada do mercado imobiliário de Nova York, com aumentos de 30%, ou mais.

"O mercado se recuperou, causando aumentos nos aluguéis e renovações de contratos que são realmente onerosos para os inquilinos", afirma Charles McNally, diretor de assuntos externos do Furman Center, uma organização de pesquisa de políticas urbanas da Universidade de Nova York.

- "Inquilina não óptima" -Em um evento organizado pelos democratas do Senado em fevereiro deste ano, Nguyen disse que empresas como a Greenbook, um dos principais atores dessa situação, consideram-na uma "inquilina abaixo do ideal".

"Seu objetivo é maximizar seus lucros, não a estabilidade que vem com um inquilino de longo prazo", declarou ela ao painel.

Especialistas em habitação explicaram aos senadores que um elenco de empresas e de subsidiárias que mudam com frequência e que aparecem em documentos oficiais de propriedade dificultam a responsabilização.

Os defensores das empresas imobiliárias argumentam que as restrições aos proprietários podem desencorajar os investimentos necessários e que o setor está se tornando um bode expiatório para o problema da acessibilidade da habitação.

Os inquilinos de Greenbrook conquistaram o apoio de proeminentes políticos de Nova York, incluindo o líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, e do senador Jabari Brisport.

Em abril, Brisport liderou uma manifestação no Brooklyn em apoio à legislação de "despejo por justa causa", que limitaria esses casos àqueles em que os inquilinos não pagam aluguel, ou se comportam mal.

O projeto de lei, que conta com o apoio de Nguyen e de outros ativistas, também limitaria os aumentos de aluguel de apartamentos com contratos baseados no mercado.

Enquanto isso, muitos no mercado imobiliário se opõem, como Bryan Liff, que colocou dois apartamentos à venda antes de arriscar alugá-los sob tal lei.

"Não estou disposto a correr o risco de que o estado basicamente presentei nossa propriedade", disse o engenheiro de software, de 50 anos.

Greenbrook e suas afiliadas possuem 153 propriedades, de acordo com um banco de dados imobiliário de Nova York. Hoje, as casas estão sob o nome "Freestone Property Group", depois de terem aparecido sob o nome de Greg Fournier, diretor da Greenbrook.

Nguyen acredita que a Freestone é uma afiliada da Greenbrook.

Procurada pela AFP, a Greenbrook Partners não retornou o contato.

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