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Bolsonaro troca ministro de Minas e Energia após aumento no combustível

11/05/2022 20h29

Brasília, 11 Mai 2022 (AFP) - Foi confirmada nesta quarta-feira (11) a saída do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, no cargo desde o início do governo de Jair Bolsonaro, após novos aumentos do diesel praticados pela Petrobras - segundo publicação no Diário Oficial.

A decisão foi tomada "a pedido" do próprio ministro, de acordo com a breve nota assinada por Bolsonaro, que escolheu o até então assessor do Ministério da Economia Adolfo Sachsida para ocupar a pasta.

"A decisão de deixar o Ministério de Minas e Energia foi de caráter pessoal e tomada em reunião entre ele (Albuquerque) e o presidente de forma consensual", insistiu o Ministério em nota enviada à AFP, apesar de a mudança ser atribuída a Bolsonaro pela imprensa.

Em sua primeira manifestação pública como ministro, Sachsida disse na nite desta quarta-feira que pedirá ao governo estudos para "desestatizar" a Petrobras, sem dar maiores detalhes sobre uma ideia que os analistas consideram improvável em um ano eleitoral.

Na última quinta-feira (5), Bolsonaro já tinha voltado a criticar a Petrobras, afirmando que o lucro da empresa era "um estupro", pouco antes da publicação dos excelentes resultados trimestrais.

O presidente pediu a Albuquerque e ao novo presidente da estatal, José Mauro Coelho, que não aumentassem os preços dos combustíveis, porque o lucro da empresa é "abusivo".

O Ministério não tem, contudo, incidência direta sobre as decisões da companhia, que é autônoma por lei e responde a seus próprios interesses institucionais e de seus acionistas.

Na segunda-feira (9), a Petrobras anunciou um novo aumento de 8,8% do preço do diesel, para se ajustar ao mercado internacional.

As constantes altas nos combustíveis preocupam Bolsonaro, que tentará a reeleição em outubro deste ano.

O índice de inflação de abril, divulgado nesta quarta-feira, foi mais uma vez impulsionado pelo setor, que subiu 3,2% no mês -mais que triplicando o índice geral- e 33,24% nos últimos 12 meses.

Foi o próprio presidente quem recomendou José Mauro Coelho para ocupar a presidência da Petrobras, logo depois de dispensar Joaquim Silva e Luna pelos aumentos que atingem diretamente o bolso dos consumidores.

Coelho assumiu a direção da Petrobras em abril e assegurou que não haveria mudanças em sua política de preços, que segue a cotação internacional do petróleo, disparada nos últimos meses pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

A petroleira controla o mercado brasileiro e tem o Estado como seu maior acionista. Entre janeiro e março deste ano, registrou um lucro líquido de R$ 44,561 bilhões (em torno de US$ 8,605 bilhões), valor que seria 38 vezes maior do que o obtido no primeiro trimestre de 2021.

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