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Rússia aumenta reservas de cereais como consequência das sanções, segundo produtores

30/05/2022 15h00

Moscou, 30 Mai 2022 (AFP) - A Rússia, um dos maiores produtores de grãos, está aproveitando a interrupção à exportação devido às sanções das potências ocidentais para aumentar suas reservas, afirmou nesta segunda-feira (30) o presidente do maior sindicato de grãos do país.

"Nossas reservas são 20% maiores que as do ano passado (...). Em vez de abastecer o mercado mundial, estamos preenchendo nossas próprias reservas", afirmou Arkady Zlochevsky em coletiva de imprensa.

Zlochevsky explicou que, até 30 de junho, a Rússia terá exportado 36 milhões de toneladas de trigo, cerca de quatro milhões de toneladas a menos que seu potencial de exportação.

A ofensiva russa da Ucrânia e as sanções do ocidente interromperam a entrega de cereais e outros produtos básicos desses dois países, o que gera temores de uma fome em escala mundial.

Os dois produzem um terço do trigo mundial.

"Toda a histeria de notícias sobre uma fome iminente só fez subir os preços. Não é a melhor estratégia e pode acabar mal", acrescentou Zlochevsky.

"Quando a histeria acabar, os preços vão cair", disse ele.

O governo russo insinuou que a colheita de cereais deste ano poderia bater recordes históricos, mas Zlochevsky afirmou que ficaria em torno de 120 milhões de toneladas (entre elas 80 milhões de toneladas de trigo), em vez das 130 milhões previstas pelo Ministério da Agricultura.

Segundo Zlochevsky, apenas "uma pequena parte" do trigo russo está destinada a países da União Europeia e essas entregas não passam pela Europa e sim pelo Oriente Médio.

"Temos fluxos de trânsito muito grandes pela Turquia e Irã e eles se mantêm", afirmou. Além disso, acrescentou que o Irã se tornou o segundo maior comprador depois da Turquia, acima do Egito, que durante anos foi o maior comprador de trigo russo.

As potências ocidentais acusam o Kremlin de usar as exportações de alimentos como uma arma na guerra na Ucrânia, assim como roubar cereal ucraniano nos territórios ocupados.

A Rússia nega as acusações e responde que criaria corredores de exportação na Ucrânia, ajudando a crise global, se as sanções internacionais contra Moscou forem suspensas.

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