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Petrobras elege presidente Caio Paes de Andrade, indicado pelo governo

27/06/2022 21h19

Rio de Janeiro, 28 Jun 2022 (AFP) - O Conselho de Administração da Petrobras elegeu nesta segunda-feira (27) Caio Paes de Andrade presidente da petroleira, um nome indicado pelo governo de Jair Bolsonaro em um contexto de escalada dos preços dos combustíveis.

O cargo seguirá vigente até abril de 2023, informou a empresa em nota. É o quarto presidente da estatal desde que Bolsonaro assumiu o poder em janeiro de 2019.

Paes de Andrade substituirá José Mauro Coelho, que renunciou na segunda-feira passada, depois de apenas um mês e meio na função.

Como seus dois antecessores, Joaquim Silva e Luna e Roberto Castello Branco, Coelho se demitiu após intensas críticas de Bolsonaro à alta dos combustíveis.

A alta desenfreada dos preços ameaçam a popularidade de Bolsonaro às vésperas das eleições de outubro, nas quais tentará um novo mandato.

"Teremos uma nova dinâmica na Petrobras, na questão dos combustíveis no Brasil. Tudo vai ser analisado na conformidade, na base da lei sem querer mexer no canetaço", disse Bolsonaro nesta segunda, durante cerimônia no Palácio do Planalto.

Na sexta-feira, o Conselho aprovou a candidatura de Paes de Andrade, nomeado pela junta como membro, além de presidente da companhia, seguindo as normas da estatal.

Paes de Andrade é funcionário público desde o início do governo de Bolsonaro e presidiu a estatal de tecnologia da informação Sepro, entre fevereiro de 2019 e agosto de 2020.

Desde então, atuava como secretário de Desburocratização do Ministério da Economia.

Além disso, figurava como membro dos conselhos administrativos das companhias públicas Pré-Sal Petróleo (PPSA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Antes da reunião do conselho, a associação de petroleiros acionistas minoritários da empresa tentaram frear a nomeação, ao se opor perante o regulador da bolsa, afirmando que Paes de Andrade não possui os "requisitos legais para tal" e inclusive experiência no setor.

Na bolsa de São Paulo, as ações ordinárias da companhia fecharam no dia com uma valorização de 6,75%, refletindo um otimismo maior sobre o futuro da petroleira.

João Beck, economista da empresa de investimentos BRA disse que o avanço indica um alívio pela nomeação de um novo presidente, que não parece promover uma mudança na política de preços da empresa.

- Política de preços -Bolsonaro criticou o lucro "abusivo" da companhia, que baseia sua política de preços nas cotações internacionais de petróleo, disparadas nos últimos meses pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

Dias atrás, Bolsonaro garantiu que o novo plano diretivo da Petrobras vai analisar a questão do PPI (Preço de Paridade Internacional) e, eventualmente, alterá-lo.

O Comitê de Elegibilidade da estatal aprovou Paes de Andrade, que garantiu por escrito não ter recebido nenhuma orientação específica sobre uma alteração da política de preços", segundo uma ata do Comitê.

Bolsonaro acusou a Petrobras de "trair o povo brasileiro" e pediu ao Congresso para instalar uma comissão parlamentar para investigar os dirigentes da empresa, após altas de 5,18% da gasolina em suas refinarias e de 14,26% do diesel.

Os combustíveis subiram 29,12% em doze meses até maio, agravando uma inflação de quase 12% neste período.

Esta situação levou inclusive à substituição de Bento Albuquerque, o ministro de Minas e Energia desde o início do mandato de Bolsonaro e que tinha apadrinhado Coelho.

Seu substituto, Adolfo Sachsida, admitiu que o governo não pode por lei interferir na política de preços da Petrobras.

Com o fim de frear a escalada, uma iniciativa de Bolsonaro para diminuir os impostos aos combustíveis foi transformada em lei na semana passada.

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